No dia três de junho estreou o documentário “Quebrando o Tabu”, dirigido pelo cineasta Fernando Grostein, que faz uma análise do combate às drogas no Brasil.
Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Ernesto Zedillo, César Gaviria do México e Bill Clinton e Jimmy Carter, dos EUA participam do filme e falam das políticas em relação às drogas.
Fernando Henrique diz que mudou de opinião ao longo dos anos e que as pessoas têm de quebrar o tabu e dizer: vamos discutir a questão.
No documentário todos concluem que a guerra mundial iniciada contra as drogas há 40 anos se deu por perdida. Bilhões de dólares são gastos no mundo inteiro, mas a quantidade de usuários só aumenta. Eles afirmam que a polícia do Rio de Janeiro trabalha enxugando gelo ao apreender armas todos os dias.
“Álcool é mais letal que a maconha. Não se diz isso, mas é. Pelo menos os dados mostram isso. Temos que discutir e diferenciar, regular o que pode e o que não pode.Na Holanda é muito interessante. Os meninos de colégio não têm curiosidade pela maconha porque é livre” , afirma FHC.
O Cada Minuto entrevistou a presidente do Fórum Permanente de Combate as Drogas, Noélia Lessa que afirmou: “É uma questão de visão dizer que a gente perdeu a luta. Não é verdade, que é difícil é. As políticas públicas não estão funcionando corretamente, o que está acontecendo no Brasil é uma epidemia”, aponta Noélia.
Ao ser questionada sobre a regulamentação da maconha, ela acrescenta:” No documentário isso se baseia em países desenvolvidos, não se pode falar em regulamentação no Brasil porque não temos segurança nem estrutura para isso. A droga não vai acabar, isso é uma verdade, mas precisamos trabalhar a demanda primária. É um tema que precisa ser abordado”, frisa Noélia.
“Só existe um hospital gratuito no Brasil, que é em são Paulo, mesmo assim existem pouquíssimos leitos”, conclui.
O pastor Welington Santos afirma que é uma questão difícil e emblemática. “Acho que qualquer debate no campo da descriminalização deve ser aprofundada, não somos um país desenvolvido, tratar o usuário como um criminoso é um equivoco, eu só não sei qual a verdadeira intenção do FHC com essas declarações. Não existe uma política articulada, é uma questão de saúde e não pode ser tratada com armas”.
O pastor ainda acrescenta que a repressão não é o melhor caminho. “Quem controla o tráfico são grandes grupos e os poderes estão brincando de faz de conta”, declara Welington.
Já o psiquiatra Mario Jorge Calheiros diz que não é liberando ou regulamentando a maconha que a situação vai resolver e ainda, que não há maturidade para liberar as drogas,com a cultura brasileira.
“A maconha pode causar problemas sérios ao organismo, além de dificuldades de relacionamento. Ela é a porta de entrada para outras drogas . É uma questão muito ampla, a permissividade também é um problema. É preciso que haja um controle maior. O paciente é um doente. São anos de descaso e agora querem resolver tudo de uma vez", destaca.
