Em uma guinada no tratamento do governo diante da crise dos bombeiros, o recém empossado responsável pela nova pasta de Defesa Civil do Rio de Janeiro, o coronel Sérgio Simões, mudou o discurso e chamou os bombeiros presos no sábado de "profissionais de valor".

Confira o salário dos bombeiros em cada Estado do País

Em entrevista coletiva, o governador Sérgio Cabral havia chamado os participantes do movimento que protestavam no quartel general da corporação de "vândalos". Simões afirmou ainda que os bombeiros retornam imediatamente a sua rotina nos quartéis. Segundo ele, não haverá "perseguição" e todos permanecerão em suas unidades.

"Tenho uma expectativa muito grande que todos voltem às suas atividades. Sei do grau de profissionalismo, dessa energia boa que está fluindo nesse momento. Conto muito em minha tropa. O comando da corporação é representado por cada um dos bombeiros nas suas funções diárias", afirmou o coronel.

Simões disse que as declarações do governador no sábado foram dadas diante das informações que ele havia recebido no momento e que Cabral sempre demonstrou respeito pela corporação. "O homem é ele e as circunstâncias. O governador fez as declarações imediatamente algumas horas após o ocorrido. Imagens e depoimentos levaram o governador a se expressar daquela forma", justificou.

O novo secretário informou que o tanto os processos na Justiça militar quanto os processos administrativos terão sequência. De acordo com ele, os bombeiros abrirão um procedimento administrativo "para que cada um possa exercer seu direito de ampla defesa".

Simões afirmou também que passa a responder pelo governo nas negociações com os membros da corporação. "Quero convidar as lideranças do movimento para estarem comigo para a gente começar a conversar o quanto antes."

Ele disse que consultará a secretaria de Planejamento para saber da possibilidade de novos aumentos, mas que antes precisa conversar e tomar conhecimento da pauta de revindicações do movimento. Ontem, o governo anunciou o adiantamento para julho do aumento de 5% do salário da corporação, que estava previsto para dezembro.

Simões também alegou que o governo tem feito investimentos na estruturação da corporação. "Nesses últimos anos se gastou 170 milhões em viaturas e equipamentos", afirmou. Simões disse acreditar que a formação da Secretaria de Defesa Civil reafirma o fortalecimento da estrutura do setor no estado, principalmente com as demandas geradas pelas condições climáticas. "O governador entendeu essa premissa e criou a secretaria", disse.

Sem panos quentes
Em relação à ação da Polícia Militar, que ocupou o quartel general dos bombeiros no sábado, Simões disse que não haverá retaliações ou abertura de processo. "Não é questão de panos quentes. A Polícia Militar cumpriu uma determinação. Naquele momento, não se sabia que rumo a situação poderia tomar. Por conta disso, houve uma determinação com base nas informações que chegavam", afirmou. Simões lembrou que antes de entrar no prédio a Polícia Militar tentou por diversas vezes negociar.