Os passageiros que têm voos marcados para a região Sul do Brasil devem consultar a companhia aérea antes de se dirigir ao aeroporto, alertou nesta sexta-feira (10), em nota, Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O vulcão chileno Puyehue continua a expelir fuligem no espaço aéreo da região Sul e também no Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai, o que prejudica as operações.

De acordo com a resolução número 141 da Anac, os passageiros devem ter seus direitos respeitados. Em caso de atraso ou cancelamento, uma hora depois do horário previsto para a partida deverá ser disponibilizado telefone ou internet. A partir de duas horas depois do horário do voo, deve ser garantida alimentação adequada.

Depois de quatro horas, o passageiro tem direito a acomodação em local adequado, seja dentro ou fora do aeroporto, o que inclui transporte ao destino. Se o atraso for superior a quatro horas e o passageiro desistir da viagem, a companhia deve devolver o valor integral do bilhete na mesma forma de pagamento - cartão de crédito ou depósito bancário.

Cancelamentos

Dos 58 voos internacionais previstos para ocorrer até as 10h desta manhã, 22 (37,9%) foram cancelados e 4 (6,9%) registraram atrasos superiores a 30 minutos, de acordo com Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária). O principal motivo para os problemas é a presença de cinzas vulcânicas em boa parte do céu do Estado do Rio Grande do Sul.

As cinzas vulcânicas, segundo a FAB (Força Aérea Brasileira), estavam concentradas nesta manhã entre 7.000 e 10 mil m de altitude. A área com ocorrência de nuvens com cinzas diminuiu, depois de chegar a cerca de 70% no Estado durante a madrugada. A camada também chegou a Florianópolis, em Santa Catarina. Se mantidas as atuais condições meteorológicas, a tendência é de que as nuvens sigam para o Oceano Atlântico. O monitoramento das nuvens é feito pelo Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea, que coordena as aeronaves para voar acima ou abaixo da camada.

Entre os aeroportos com o índice mais elevado de atrasos e cancelamentos está o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em que 8 dos 28 voos internacionais programados foram cancelados e um atrasou mais de 30 minutos. No Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, cerca de 90 voos foram cancelados. No Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, a única decolagem internacional foi cancelada.

No Aeroporto do Galeão, na zona norte do Rio de Janeiro, metade das 14 partidas foram canceladas e uma decolou com atraso. Segundo a FAB, o Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, opera apenas para decolagens, em decorrência da meteorologia.

A companhia aérea Gol informou nesta manhã que restabeleceu suas operações em Florianópolis, Navegantes e Joinville, em Santa Catarina. Segundo a empresa, os voos já podem ser realizados pois estão dentro do padrão de segurança. Apesar disso, os voos com origem e destino em Porto Alegre, Caxias do Sul e Chapecó, no Brasil, Buenos Aires, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai, permanecem cancelados por conta do avanço das cinzas do vulcão chileno sobre o espaço aéreo dessas regiões.

A TAM cancelou seus voos para Porto Alegre ontem, às 21h. A companhia também vai continuar com seus voos suspensos para os aeroportos de Buenos Aires e Montevidéu pelo menos até ao meio-dia desta sexta-feira. Essas medidas são necessárias para garantir a segurança de clientes e tripulantes.