As companhias aéreas TAM e Gol, atingidas pela nuvem de cinzas expelida por um complexo vulcânico no sul do Chile, cancelaram mais de 50 voos internacionais na América do Sul nesta terça-feira.

A TAM, que na véspera cancelou quatro voos noturnos que sairiam de São Paulo e Rio de Janeiro com destino a Buenos Aires e Montevidéu, divulgou na terça-feira o cancelamento de 32 partidas que ligam Brasil, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai.

"A TAM está analisando permanentemente as informações disponíveis sobre a densidade e o deslocamento da nuvem de cinzas e avalia que, neste momento, há riscos para a operação de voos nessas rotas", afirmou a maior companhia aérea do Brasil.

A Gol divulgou cancelamento de 19 voos de ou para as cidades de Santiago (Chile), Buenos Aires, Córdoba e Rosário (Argentina), Montevidéu (Uruguai), Assunção (Paraguai) e Foz do Iguaçu (Brasil).

As empresas não souberam precisar quando as operações serão retomadas normalmente.

Segundo a empresa que administra os aeroportos brasileiros, Infraero, do total de 130 voos internacionais programados para até as 17h de terça-feira, 50 tinham sido cancelados, um percentual de 38,5 por cento.

O Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea da Força Aérea Brasileira informou que as nuvens do vulcão chegaram ao espaço aéreo brasileiro nesta terça, perto da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, e que a camada de fumaça estava concentrada na faixa de 5.200 metros a 7.600 metros de altitude.

De acordo com o centro, o cenário previsto pelo órgão responsável pelo monitoramento dos cinzas vulcânicas na Argentina indica que, se as atuais condições meteorológicas na região forem mantidas, o aeroporto de Porto Alegre não deve sofrer qualquer tipo de impacto.

"A nuvem estaria restrita à fronteira do Brasil com o Uruguai, em uma altitude mais elevada", informou o comunicado da FAB.

O complexo vulcânico Puyehue-Cordón Caulle, no sul do Chile, expeliu lava e provocou a movimentação de pedras atrapalhando a travessia de estradas na região da fronteira entre Argentina e Chile. Alguns trechos estavam interrompidos pelo acúmulo de cinzas.

A nuvem vulcânica chegou à capital Buenos Aires na terça-feira, e afetou as operações no aeroporto internacional de Ezeiza, nos arredores da capital, o que gerou cancelamento de voos desde a noite de segunda-feira.

Os aeroportos de Río Gallegos, Río Grande, Ushuaia e Comodoro Rivadavia, no sul da Argentina, assim como os de Mendoza, Santa Rosa e San Rafael também foram afetados.

Na tarde de terça-feira, as principais companhias aéreas que operam na Argentina começaram a retomar seus serviços domésticos, regionais e internacionais.

As estatais Aerolíneas Argentinas e Austral informaram que as condições meteorológicas melhoraram e que a nuvem vulcânica havia dispersado, justificando a retomada parcial de suas operações.

A LAN disse por meio de sua filial argentina que a partir das 16h30 (horário local) retomou suas operações domésticas e internacionais nos aeroportos de Buenos Aires.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), apesar da situação causada pelo vulcão, os passageiros afetados podem pedir reembolso e assistência das companhias aéreas enquanto estiverem impedidos de viajar.

(Por Alberto Alerigi Jr.; reportagem adicional de Bruno Marfinati, em São Paulo; Jorge Otaola e Guido Nejamkis, em Buenos Aires; Daniela Desantis, em Assunção; e Giovanna Fleitas, em Montevidéu)