Para quem não viu, eu indico o bom documentário Sandoval Caju – Além do Conversador. Tive a oportunidade de assistir na noite de ontem, dia 03. A obra apresenta uma visão unilateral de um político alagoano que virou mito, ao ponto de não mais ser apagado da História da política do Estado, ainda que muitos de seus famosos “S” tenham sido tirados das praças públicas e das obras que fez como gestor.
Se não fosse Sandoval Caju, o conceito urbanístico da cidade que temos seria outro. Sandoval Caju: um populista que venceu as elites da época, inclusive sem o apoio das entidades populares organizadas. O documentário que é dirigido por Pedro da Rocha mostra um Sandoval Caju em três prismas: o político, o mito e o indiossicrásico, que já faz parte do anedotário da política alagoana, inclusive com poesias deixadas.
Capaz de “tiradas” fantásticas como ao ver uma mulher feia e comentar com o amigo: “Rapaz, aquela mulher é comunista. Foi feita a foice e martelo”. Ou então chegar a uma reunião vestido de branco e afirmar: “Vim de branco para ser mais claro”.
Há ainda a clássica de Sandoval Caju: ao saber que queriam matá-lo, marcou um comício em frente à igreja. Subiu no palanque, abriu a camisa e pediu que os “sicários” o matassem ali, pois se caísse para frente, cairia nos braços do povo. Se para trás, cairia nos braços de Deus, em referência ao lado onde se encontra a população e o outro, onde estava o templo.
Há controvérsias sobre a forma desburocratizada com que lidou com o recurso público e o narcisismo que transpira em todos os populistas. O S das praças, que Sandoval Caju costumava dizer que era de “Sente-se” ou “Sirva-se”, era na verdade uma marca que cumpriu sua função ao longo do tempo, preservando-o na memória das gerações. Em resumo, futurista por saber assinar sua história na capital alagoana.
Um político que não fez grupo, não fez sucessor, não fez escola, não era comunista, nem de direita, nem de esquerda, nem de centro, mas foi cassado pela ditadura militar, o que lhe tirou a possibilidade de concorrer ao governo do Estado no final da década de 60. Por essas e outras, o documentário de Pedro da Rocha é imprescindível para quem gosta de cultura e quer saber um pouco mais sobre a controversa e singular trajetória de Sandoval Caju.
São 55 minutos com depoimentos interessantíssimos. Vale a pena conferir. Eu indico!