O CRB vai ter que se enquadrar no projeto do técnico Flávio Lopes, se quiser que ele tenha uma boa permanência na Pajuçara. Seria uma reversão de valores o que observamos, mas a verdade é que ao invés do patrão impor as condições, desta vez o empregado é que coloca na mesa seus pleitos. E o maior deles é justamente o pagamento dos salários em dia aos atletas, sem importar quais valores.
Em sua apresentação, Lopes foi claro ao afirmar que o sucesso de qualquer trabalho depende da qualidade de vida oferecida ao elenco e isso passa pelo pagamento em dia dos salários. É ponto primordial para o seu trabalho. E sem querer estragar os planos do Galo, é do conhecimento geral que a Série C é uma competição deficitária, de tiro curto, e que sempre acarreta despesas elevadas aos clubes.
Aliás, essa situação não se vê apenas na Série C. Está ai o Náutico, da Série B, que tem um bom padrão financeiro, enfrentando problemas com seus jogadores, justamente por dever algumas folhas salariais.
No caso do CRB, que contava com uma verba extra da TV Brasil, até esta semana como certa na transmissão da competição, as coisas ficam complicadas pelo fato de o clube alvirrubro não dispor de uma receita que lhe garanta cobrir suas despesas. Sem o apoio da CBF, o Galo e os demais clubes da Série C terão que se virar à custa de patrocínios e – no caso particular do nosso representante -, da ajuda de conselheiros. Isso sem contar com o apoio incondicional dos seus torcedores, o que muito dependerá do desempenho da equipe no campeonato.
Ressalte-se, contudo, que o CRB atual tem se comportado com muita cautela, com um planejamento antes nunca visto da Pajuçara, que transmite muita confiança ao seu torcedor. O presidente Marcos Barbosa conseguiu agregar regatianos tradicionais e novos e pode reverter situações vivenciadas nos últimos anos, quando o clube enfrentou grandes dificuldades financeiras que resultaram em crises, comprometendo projetos importantíssimos.
Não estamos duvidamos da força do projeto alvirrubro, que é voltar à Série B. Mas é de bom alvitre a direção regatiana se precaver para enfrentar os grandes desafios que estão à sua frente.