O acidente químico da Braskem, ocorrido no final do último mês, foi mais uma vez tema de debate entre os vereadores durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Maceió desta quinta-feira (2). Os parlamentares cobraram pulso nas ações da Comissão Especial de Investigação (CEI) que apura as causas do vazamento de cloro a qual vitimou mais de 130 pessoas, em Maceió.
O relator da CEI, vereador Ricardo Barbosa (PSOL), iniciou a discussão mostrando preocupação com a possibilidade de a Comissão perder o objetivo da causa, uma vez que a petroquímica já apresentou o laudo técnico e a empresa possa entender que “não há mais nada a fazer”.
“Mesmo que a empresa já tenha apresentado o laudo técnico e o MP já tenha avançado nas negociações entre a Braskem, os trabalhadores e a população atingida pelo acidente, esta CEI traz propostas maiores. Ela vem para fiscalizar e colocar em pauta os problemas que envolvem a atuação de empresas químicas e nucleares no município alagoano” - relatou o vereador.
O parlamentar informou que na tarde de ontem (1º) alguns trabalhadores da Braskem e integrantes do Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plásticos de Alagoas e Sergipe (Sindipetro AL/SE) estiveram na Casa Mário Guimarães, exaltados, após terem sido informados de que a Câmara de Maceió desenvolvia um Projeto de Lei com a finalidade de retirar a petroquímica da capital alagoana.
“Nós tivemos que acalmá-los e explicar que isso não passava de boatos. Acredito que esta informação errônea tenha sido fruto de pessoas que não querem ver esta CEI prosperar e querem jogar os trabalhadores contra esta Casa” – especulou Barbosa.
O presidente do Legislativo Municipal, Galba Novaes (PRB), confirmou que está desenvolvendo um Projeto de Lei que cerceia a instalação de novas usinas químicas e nucleares em Maceió, mas que nada está definido em relação à retirada da petroquímica da cidade. “O projeto está em andamento e seguindo as orientações da Procuradoria da Casa. Por ora, posso afirmar que, de acordo com a proposta, fica proibida a instalação de novas empresas químicas e nucleares aqui, pois entre o desenvolvimento da economia e a preservação de vidas, eu prefiro a segunda alternativa” – enfatizou Novaes, informando que a proposta deverá ser apresentada na sessão da próxima terça-feira (7).
Já a vereadora Heloísa Helena (PSOL), expôs sua opinião afirmando que não há mal em rever a instalação da Braskem, desde que “toda decisão que seja tomada, tenha a participação direta da sociedade”.
Levando em consideração o aparte de Heloísa, o vereador e presidente da CEI da Braskem, Marcelo Malta (PCdoB) afirmou que todos os trabalhos desenvolvidos pela Comissão, serão expostos para conhecimento coletivo. “Estamos fazendo as investigações envolvendo fundamentos técnicos e científicos e o andamento e resultado da investigação estarão à disposição de todos os parlamentares desta Casa e da sociedade”, finalizou o vereador.