O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano de São Paulo, Miguel Luiz Bucalem, afirmou no final da tarde desta quarta-feira, em um painel da C40 Summit, na capital paulista, que os eventuais desalojados pelo projeto de intervenção urbana conhecido como Nova Luz receberão aluguel social. O comentário respondia a crítica de associação de moradores local, que ataca o desalojamento de antigos habitantes.

O projeto, em fase de estudos, visa a revitalização das 45 quadras e 50 hectares atualmente degradadas e ocupadas por traficantes e consumidores de drogas, em especial o crack. O secretário colocou o Nova Luz como uma das ações prioritárias da prefeitura no painel "Cidades Compactas" do encontro, omitindo o problema do tóxico. Bucalem justificou dizendo que sua apresentação era sobre a reformulação estrutural da região, não sobre o "problema de saúde pública".

"Todas as cerca de cem famílias receberão um aluguel social nos moldes do que é geralmente oferecido para situações de emergência", disse Bucalem. O secretário ainda prometeu construir mil habitações de interesse social e outras mil de característica popular para manter a população e adensar a ocupação do local. O plano é concluir a intervenção em até 15 anos.

Além de reconstruir os imóveis degradados, o projeto tem por objetivo criar uma nova qualidade para a região, que é bem servida de equipamentos urbanos, como metrô e ônibus. Segundo Bucalem, as calçadas construídas serão largas para facilitar o uso do pedestre e está prevista a construção de uma ciclovia, além de parques para aclimação.

Experiências de fora
O painel realizado na C40 mostrou ainda iniciativas de prefeituras de Barcelona (Espanha), Paris (França), Portland (EUA) e Roterdã (Holanda). O representante de Barcelona apresentou o modelo de interligação dos parques da cidade por "linhas verdes". Paris colocou a intenção de estabelecer por lei um teto para o preço do aluguel no centro da cidade para não penalizar demais os trabalhadores e assim diminuir deslocamentos.

O prefeito de Portland apresentou sua experiência com "ecodistritos", bairros equipados com todo o tipo de recurso de habitação e lazer, além de empregos para que não seja necessário o deslocamento por carro. Finalmente, Roterdã apresentou o conceito de prédios híbridos, com capacidade de flutuação, visando a possível futura inundação da Holanda, cujo território fica quase todo ao nível do mar e é ameaçado pelo aquecimento global.