O vice-presidente jurídico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Carlos Eugênio Lopes, prestou depoimento nesta quarta-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legistlativa. A CPI investiga supostas irregularidades em escrituras de compra e venda registradas no Cartório do 9º Ofício.
A CBF adquiriu um terreno com mais de 87 mil m² na Barra da Tijuca, onde pretende criar um centro de treinamento de Seleções, um centro administrativo e o Museu do Futebol. Cada metro quadrado custou, em um primeiro momento, R$ 300 - valor que, agora, chega a R$ 1 mil. O preço consideravelmente baixo pago pela entidade em um primeiro momento levantou suspeitas da CPI, que convocou, também, Adilson Alves, diretor do Cartório do 9º Ofício, onde foi registrada a documentação do negócio.
"Compramos (o terreno) porque, além de ser um bom negócio, todas as certidões estavam em dia e na presunção de veracidade", esclareceu Lopes. "O dono apresentou à entidade os documentos comprobatórios de que era o titular e a CBF comprou de quem tinha a área registrada em seu nome, atendendo os requisitos da legislação. Não havia qualquer fator que impedisse a compra", defendeu-se.
Contudo, o deputado Paulo Ramos explicou que sua preocupação é outra. O parlamentar assegurou que a Confederação Brasileira de Futebol não é alvo da CPI, mas sim o fato de o negócio, fechado por um preço consideravelmente baixo, dê credibilidade ao vendedor para fazer vendas irregulares a outros compradores.
"A CBF não é motivo de investigação", esclareceu o deputado. "Essa CPI quer saber é se a Confederação não foi iludida em sua boa fé, comprando um terreno de alguém que possa não ser o titular definitivo. O nosso temor é que, às vésperas da Copa do Mundo, alguém apareça, diga ser o verdadeiro proprietário e interrompa as obras, o que acarretaria um enorme prejuízo não só para a entidade como para o país, que estará no centro das atenções devido à Copa do Mundo de 2014", afirmou Paulo Ramos
"O meu medo é que o preço baixo tenha acontecido para que a CBF realmente comprasse o terreno e, com sua legitimidade reconhecida, passasse a ser usada como avalista para a venda de outros terrenos. O pensamento é o seguinte: se a CBF comprou, após se certificar que estava tudo legal, outros investidores ficariam animados a comprar também", acrescentou.
A CPI investiga uma confusão iniciada há quase 50 anos: a falência do Banco de Crédito Móvel, em dezembro de 1964. A entidade detinha a propriedade de muitos terrenos ba Barra e no Recreio dos Bandeirantes.