O ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic, acusado de crimes de guerra e capturado na quinta-feira passada, se escondeu durante várias semanas de 2006 em um mosteiro no norte da Sérvia após sofrer um infarto, informa neste domingo a imprensa local.
Segundo o jornal "Blic", que cita uma fonte da diocese de Backa da Igreja ortodoxa sérvia, Mladic se recuperou do infarto no mosteiro Saint Melanija, habitado apenas por freiras e situado na localidade de Zrenjanin, perto de onde foi preso na última quinta-feira, na província de Vojvodina.
A fonte afirma que Mladic na época estava tão mal que, no mosteiro, chegaram até a preparar um túmulo para enterrá-lo em segredo, informação que apenas um grupo muito reduzido de pessoas conhecia.
Mladic teria sido levado ao mosteiro no início de outubro de 2006, onde recebeu assistência médica.
"Em alguns momentos ele quase não conseguia se comunicar, estava fisicamente muito mal. A parte direita de seu corpo estava totalmente paralisada, os lábios tinham se torcido e não conseguia movimentar o braço", indica a fonte citada pelo "Blic", um dos jornais mais lidos da Sérvia.
Após duas semanas no mosteiro, o ex-general começou a melhorar, começou a caminhar pouco a pouco, com lentidão, às vezes saía para o pátio do recinto e começava a se comunicar com as pessoas ao seu redor. Depois de outras duas semanas, Mladic abandonou o mosteiro sem avisar para onde ia, destaca o "Blic".
O ex-líder militar dos sérvios da Bósnia foi detido na casa de um primo no povoado de Lazarevo, após as autoridades sérvias terem recebido uma informação de fonte anônima.
Ele pode ser extraditado nos próximos dois dias ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) - em Haia -, que o acusa de genocídio e crimes de guerra durante o conflito da Bósnia em meados dos anos 1990.