Paulo Borges, diretor criativo do Fashion Rio, em entrevista ao Terra fala sobre o tema escolhido para o evento, a intenção de que as coleções de beachwear tanto nacional quanto internacional sejam apresentadas a partir do Fashion Rio e aponta o grande desafio para a moda brasileira: mostrar sua força criativa.
Terra: O tema do Fashion Rio verão 2012 é "Universo Tropical". Qual é o conceito que esta ideia traz?
Paulo Borges: A ideia é mostrar, por meio de conteúdos históricos e inovadores, as musas, ícones, peças e movimentos que desenharam o lifestyle brasileiro. Será um olhar abrangente sobre moda, arte e design. E sobre tudo que contribui para os processos de formação de identidade e criação nacionais.
Terra: As marcas brasileiras devem voltar suas criações para coleções regionalistas ou ao contrário, cada vez mais olhar para fora e desenvolver coleções universais?
Paulo: Depende do objetivo de cada uma. O importante é que, na busca pelo regionalismo ou pelo universal, a marca consiga se manter autêntica e não perca a sua identidade, o seu DNA.
Terra: Havia o desejo de trazer grifes de beachwear de outros países já para esta edição do Fashion Rio. Esta vontade continua?
Paulo: Na verdade, grifes de beachwear internacionais e nacionais. Nossa intenção continua sendo esta e estamos trabalhando para isto. Cada movimento neste sentido leva o tempo necessário de transformação de cada grife e do reposicionamento de cada negócio. Queremos que a moda praia seja apresentada a partir do Fashion Rio, e isto tem que ser relevante para todas as grifes envolvidas e fazer parte das estratégias delas, e isto leva um tempo de mudança para ser de fato um negócio estruturado de verdade.
Terra: Em quais condições moda é negócio, moda é arte e moda é futilidade?
Paulo: Moda é negócio em toda sua cadeia produtiva. No Brasil ela é extensa e complexa, uma das únicas do mundo tão completa. Moda é negócio porque gira a economia do país, gera empregos e transforma a cadeia produtiva diariamente.
Moda é inovação e isto é fundamental para dar o ritmo a esta economia e assim gerar uma percepção ao mundo de que tipo de negócio podemos fazer. Moda é a segunda economia brasileira, é a que mais gera empregos às mulheres, a segunda que mais contrata no Brasil.
Moda é arte pelo seu princípio de inspiração e criação. Moda é arte pela sua visão de cultura, pela sua forma de convergir olhares e discursos. Moda é arte como expressão contemporânea, e por coexistir dentro de uma gama de relações transversais em áreas de criatividade multidisciplinares muito produtivas.
Moda é fútil quando é colocada de forma desnecessária em qualquer situação.
Terra: O senhor chegou a se reunir com a presidente Dilma Rousseff no começo do ano. Desta conversa, pode-se esperar políticas de incentivo para o mercado têxtil?
Paulo: Um dos assuntos que tratamos em nosso encontro foi justamente sobre a necessidade de se desenvolver uma política de fomento à inovação e produção à moda por parte do governo, de uma política pública de financiamento para as pequenas e médias empresas do setor.
Terra: Qual é o grande desafio da moda brasileira?
Paulo: O negócio da moda é relativamente novo no País e vem se consolidando ano a ano, apesar das inúmeras crises que o Brasil já viveu nas últimas décadas. Por ser um país de dimensões continentais, e em função da melhoria de vários indicadores sociais, é possível contar com um mercado interno em expansão, o que garante a sustentabilidade e crescimento dos negócios. Temos ainda como desafio mostrar a força criativa das criações brasileiras para o mundo.
Terra: Quais são os números esperados para o Fashion Rio e Rio-à-Porter e quantos empregos são gerados durante os eventos?
Paulo: O Fashion Rio é uma semana de moda, portanto, não tem movimentação financeira. Para o Rio-à-Porter, não costumamos fazer previsões. O que posso adiantar é que os dois eventos, juntos, estão orçados em R$ 18 milhões.