por João Victor Acioly

Um dia após o anúncio que a iTunes Store será instalada no Brasil no próximo mês de outubro, reflito se os brasileiros estão preparados para largar o download ilegal e passar a pagar por um arquivo de música digital.

Sabemos que o mercado fonográfico há anos não está mais em alta, e números expressivos de vendas, não só de música digital como de seus derivados físicos, são praticamente raridade. Entenda como altas as vendas excedentes a 1 milhão de cópias em questão de semanas ou até mesmo dias, e atente que estou sendo bem generoso ao exemplificar com essa quantidade. O fato é que nos acostumamos a baixar ilegalmente faixas de áudio e vídeos na internet, e até mesmo a comprar na banca da esquina um cd, dvd ou jogo por menos de um terço do valor do produto original, e a nossa cultura (ou falta dela?) é que permitiu isso. Abrir um serviço desse tamanho num país como o Brasil é um passo arriscado, mas não em falso.

O mercado fonográfico não morreu; decaiu. O segmento digital, indo na contramão, vem ganhando espaço, e o público se habituando a ele. E é isso: tudo não passa de uma questão de hábito. Reproduzindo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), em 2009 a venda de música digital no país por meio de sites autorizados dominou 11,9% do comércio fonográfico, gerando o total de 42.8 milhões de reais. São números consideráveis levando em conta a realidade na qual vivemos.

Vale destacar também que a iTunes é um “correto inconveniente”, e de certo modo, seletivo. “[...] os preços dos cartões são R$10, R$20 e R$40. Serão vendidos inicialmente nas principais redes de revenda de produtos da Apple, como Fast Shop, Fnac e Extra”, diz a Folha na publicação da notícia. Hoje, onde o “pra ontem” é quem dita nosso cronograma, só se deslocará até uma loja para comprar o cartão quem realmente admirar o trabalho de tal artista e estiver disposto a enfrentar este contratempo para obter aquela mercadoria, o que me faz voltar à questão ilegalidade: ela não vai acabar! Quem espera isso é tão ingênuo quanto aquele que acredita nos contos da Carochinha. Entretanto, encaro como uma batalha a caminho da vitória, ciente que a vitória será apenas por esta batalha específica e não por toda a guerra.