A TAM poderá buscar outro sócio se o plano de fusão com a chilena LAN for rechaçado por um tribunal de Santiago, afirmou nesta quinta-feira um advogado da companhia aérea brasileira durante uma audiência em que se debate a legalidade da operação.
LAN e TAM anunciaram em agosto do ano passado acordo de troca de ações para criar a maior companhia aérea da América Latina, mas uma associação de consumidores do Chile (Conadecus) foi contra a operação junto a um tribunal de defesa da concorrência no país. A corte decidiu abrir um processo de análise e suspender a transação.
"A TAM poderia buscar outro sócio se a fusão com a TAM for barrada", afirmou Juan Gumucio, que representou a companhia aérea na audiência. "Poderão rechaçar a fusão, mas isso não vai frear a consolidação mundial do transporte aéreo", acrescentou.
O Tribunal da Livre Concorrência (TDLC) realiza nesta quinta-feira uma única audiência sobre a operação que pode exigir informações adicionais das partes e atrasar uma decisão que é esperada para antes da agosto.
Na reunião, o defensor da LAN, Cristóbal Eyzaguirre, destacou que a união das companhias aéreas "é quase uma associação de complementariedade e de benefícios muito palpáveis para os clientes".
A Conadecus pediu uma análise sobre se a fusão está de acordo com normas chilenas, incluindo algumas rotas de concentração por parte das companhias aéreas e a posição de domínio de mercado por parte da LAN. A associação está "preocupada com o número menor de atores" na indústria chilena, afirmou Gonzalo Cruzat, representante legal da Conadecus, na audiência.
A LAN informou que vai entregar as informações que o TDLC exigir para concluir a análise da operação o mais rápido possível, com a expectativa de que isto ocorra no final do segundo trimestre.
As companhias aéreas esperam conseguir sinergias de US$ 400 milhões anuais com o plano de fusão, mas analistas se mostram mais moderados diante da expectatida de restrições mais duras a serem impostas pelo regulador chileno. No caso de uma decisão nagativa à operação pelo TDLC, a LAN não descartou recorrer à Corte Suprema do Chile para impugnar as medidas do tribunal.