As cidades de São Paulo e Caracas estão entre a lista de cidades com mais tolerância à diversidade social, segundo um estudo realizado em 33 países publicado nesta quarta-feira (25) pela revista "Science".

- O enfoque da pesquisa foi o contraste cultural que domina a paisagem geopolítica de hoje.

A afirmação é da psicóloga Michelle Gelfand, da Universidade de Maryland (EUA) e autora principal do artigo. O estudo "destaca as diferenças entre as sociedades 'restritas', ou seja, as que têm normas e restrições sociais muito fortes, e pouca tolerância para os desvios dessas normas, e as sociedades 'tolerantes', onde as normas são mais fracas e permitem mais desvios", acrescentou.

Entre as instituições que participaram deste estudo, que entrevistou 6.823 pessoas em 33 países, está a Universidade de Monho, em Braga (Portugal); a Pontifícia Universidad Católica do Peru; o Departamento de Psicologia Social da Universidade de Valência (Espanha); e o Colégio da Fronteira Norte, no México.

Os pesquisadores assinalam que a consideração das ameaças ecológicas e humanas para uma "cultura de tolerância", desde as guerras e as doenças, até os desastres naturais, e da densidade de população até o manejo dos recursos, "ajudam a explicar as diferenças sociais e de comportamento das nações".

Os autores desenvolveram um complexo índice de tolerância para o "desvio social", ou seja, o grau no qual certos comportamentos se toleram ou se reprimem. Dessa maneira chegaram a uma pontuação sobre o "grau de rigorosidade", cuja média entre as 33 sociedades examinadas é de 6,5 pontos. Entre as sociedades mais restritas, de acordo com este estudo, está a de Hyderabad (Paquistão) com 12,3 pontos; Bandar Baru Bangi (Malásia) com 11,8 pontos; Ahmedabad, Bhubaneswar, Chandigarh e Coimbatore (Índia), com 22 pontos; Cingapura com 10,4 pontos; e Seul (Coreia do Sul) com 10 pontos.

As mais tolerantes das sociedades examinadas são as de Odesa (Ucrânia) com 1,6 pontos; Budapeste e Szeged (Hungria) com 2,9 pontos; Groningen (Holanda) com 3,3 pontos; São Paulo com 3,5 pontos; e Caracas (Venezuela) com 3,7 pontos. O grau de tolerância foi medida através de perguntas questionando situações sociais cotidianas, como comer, rir, xingar, beijar, chorar, cantar, falar, paquerar, escutar música, ler um jornal e pechinchar nas compras.

Segundo os autores, as sociedades mais estritas, que são as que têm mais probabilidades de ser governadas de forma autocrática, têm menos liberdade de expressão, mais leis e regulamentações, menos acesso às novas tecnologias de comunicação e menos direitos e liberdades civis que as nações mais tolerantes.

Ataques homofóbicos

Contrariando o estudo, em 2010, vários ataques de origem homofóbica foram registrados na capital paulista, principalmente, na região da avenida Paulista.

No dia 14 de novembro três jovens foram agredidos na avenida Paulista por cinco rapazes, quatro deles eram menores de idade. Todos os quatro estão detidos em uma unidade da Fundação Casa. O maior, de 19 anos, está em liberdade, mas já foi feito o pedido de prisão preventiva do rapaz.

Também no dia 4 de dezembro, um casal de homossexuais que foi agredido na avenida Paulista com socos e pontapés. Eles estavam andando de mãos dadas perto do metrô Brigadeiro, quando foram agredidos por cinco homens. Depois das agressões, as vítimas procuraram por viaturas policiais em patrulhamento pela via, mas não encontraram. O que teve mais ferimentos chegou a desmaiar.

Em dezembro do ano passado, um estudo feito pelo Cads (Centro de Combate à Homofobia da Coordenadoria de Diversidade Sexual), ligado à Prefeitura de São Paulo, entre julho de 2006 e dezembro de 2009, constatou que a região central de São Paulo, que inclui a avenida Paulista, é a que mais concentra ataques homofóbicos. Nas 50 situações de violência física relatadas, 20% são em casa, 2% no trabalho e 78% no espaço público. Conforme o perfil levantado, as vítimas normalmente têm entre 25 e 39 anos. A expectativa da prefeitura é usar os dados da pesquisa para trabalhar todas as políticas públicas voltadas para homossexuais.