A 5ª Vara Federal de São João de Meriti (RJ) abriu processo contra dez suspeitos de fraudar o concurso da Polícia Federal para 340 vagas em 2007. A denúncia é da Procuradoria da República de São João de Meriti (RJ).

Em dezembro de 2007, na sexta-feira anterior à prova, um suspeito foi flagrado tentando vender o gabarito da prova por R$ 40 mil. Encaminhados para a Procuradoria da República de São João de Meriti, fragmentos do exame foram reconhecidos por um funcionário do Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ), organizador do concurso, com colagens de questões e respostas. A prova não foi aplicada por recomendação do MPF. A Coordenação de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal verificou, com o MPF e um representante da UFRJ, que a fraude realmente ocorreu.

O concurso teve 122,4 mil inscritos para 194 vagas no Pará e 146 em Mato Grosso. A Polícia Rodoviária Federal então rescindiu o contrato com o Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ) e contratou o Cespe/UnB para realizar o processo seletivo. O concurso foi retomado sete meses depois.

De acordo com o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, seis réus estavam inscritos no concurso e os outros quatro são servidores - um do NCE/UFRJ e três do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com o MPF, a ação penal foi movida em dezembro de 2010, três anos depois da denúncia de fraude. A demora é justificada pela necessidade de realizar interceptações telefônicas para saber os responsáveis pela venda do gabarito e pelo vazamento das provas da gráfica.

O Ministério Público Federal informou que os suspeitos estão em liberdade e agora se tornaram réus no processo e terão que apresentar defesa.

A pedido do MPF, a Justiça também bloqueou os bens dos suspeitos para cobrir prejuízos aos cofres públicos, estimados em cerca de R$ 10 milhões pelos procuradores. Os réus respondem pelos crimes de corrupção (ativa e passiva), receptação (recebimento de produto de crime), peculato (desvio de bens públicos por servidor) e violação de sigilo funcional.

O G1 entrou em contato com o Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ) e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e aguarda posição de ambos sobre o assunto.

Concurso parado há mais de um ano
Outro concurso da Polícia Rodoviária Federal foi fraudado em 2009 e está parado por causa de brigas judiciais há um ano e meio. Cerca de 110 mil candidatos aguardam o desfecho do concurso para 750 vagas.