O governo francês afirmou nesta terça-feira que a China "vê com bons olhos" a candidatura da ministra da Economia, Christine Lagarde, à direção do FMI (Fundo Monetário Internacional), destacando, ao mesmo tempo, que Paris não deseja "desprezar" os países emergentes.
"A China é favorável à candidatura de Christine Lagarde", disse François Baroin, ministro do Orçamento francês, à rádio francesa Europe 1.
"Não queremos fazer nenhum gesto que possa ser interpretado como uma forma de desprezo pelos países emergentes, e nenhum gesto ou sinal de arrogância, levando em consideração as circunstâncias" nas quais o francês Dominique Strauss-Kahn renunciou a seu cargo na chefia do Fundo Monetário Internacional (FMI), assegurou Baroin.
O ministro ressaltou que não cabe à França argumentar sobre seu interesse de substituir Strauss-Kahn por outro francês.
"Estamos buscando um consenso europeu (...), mas é facilmente compreensível, levando em conta as circunstâncias da renúncia do diretor gerente do FMI, que não corresponde à França colocar-se na linha de frente", estimou
CÚPULA DO G8
Os países do G8 --Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia-- não decidirão em sua cúpula desta semana, na França, sobre a sucessão de Dominique Strauss-Kahn à frente do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Fontes governamentais alemãs disseram nesta terça-feira em Berlim que o G8 não é o indicado para tomar uma decisão sobre a direção do FMI.
As mesmas fontes acrescentaram que durante o encontro do G8 no balneário francês de Deauville se tratará, naturalmente, sobre o FMI, mas lembraram que o processo de apresentação de candidaturas só será encerrado em 10 de junho.
Além disso, sublinharam que, no G8, não estão representados todos os países que representam um papel relevante à hora de decidir sobre a sucessão de Strauss-Kahn, em referência a potências emergentes como Brasil, China e Índia.
A Alemanha e outros países da UE desejam que a direção do FMI continue sob responsabilidade europeia e apoiam como candidata ao cargo a ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde.
Ontem, Lagarde --considerada a favorita para suceder Strauss-Kahn-- declarou à rede de televisão americana CNBC que é "prematuro" se pronunciar e que não cabe a ela tomar uma decisão a respeito.
Consultada sobre o que diria caso fosse convidada para dirigir o FMI (Fundo Monetário Internacional), Lagarde respondeu: "Diria que é interessante, mas é claramente prematuro".