O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou nesta sexta-feira que nada justifica a instalação de uma CPI mista para investigar a evolução patrimonial do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.

"Acho que não há motivo nenhum para nenhuma CPI, uma vez que até agora não vi, no debate, nenhum crime a ser levantado e nenhuma outra contravenção que se pudesse investigar", disse Sarney.

Não é a primeira vez nesta semana que Sarney saiu em defesa de Palocci. Na quarta-feira, ele disse que a experiência adquirida pelo petista no período em que ocupou o Ministério da Fazenda lhe permitiu ser um empresário bem sucedido.

"Todos aqueles que têm exercido cargos públicos na área econômica, eles adquirem uma soma de experiência e através dessa soma de experiência tem tido atividade na área privada. O ministro Palocci não fez nada mais do que isso", afirmou.

PEDIDO DE CPI

Hoje, a oposição decidiu pedir a abertura de CPI mista (Câmara e Senado) no Congresso para investigar o caso do ministro.

Depois que a Folha revelou na edição desta sexta-feira que a empresa do ministro, a Projeto, faturou R$ 20 milhões em 2010, ano eleitoral, PSDB e DEM decidiram colher assinaturas para tentar instalar a CPI no Congresso.

Paralelamente à CPI mista, o PPS vai colher assinaturas para instalar uma comissão exclusivamente na Câmara --onde acredita ter mais chances de emplacar a sua criação.

Para que a CPI mista seja instalada, os oposicionistas precisam do apoio de 27 senadores e 171 deputados --que devem assinar o requerimento para a sua criação.

No Senado, a oposição conta atualmente com 19 parlamentares (incluindo dois do PSOL).

Mas espera a adesão de dissidentes da base governista, especialmente do PMDB --cuja bancada de insatisfeitos na Casa vem aumentando nos últimos dias.

DENÚNCIAS

A empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, faturou R$ 20 milhões no ano passado, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.

Segundo duas pessoas que examinaram números da empresa e foram ouvidas pela Folha, o desempenho do ano passado representou um salto significativo para a consultoria, que faturou pouco mais de R$ 160 mil no ano de sua fundação, 2006. O jornal também revela que uma das empresas clientes da Projeta era a WTorre, empreiteira que fez doações às campanhas do ministro e à de Dilma.

A Folha revelou no último domingo (15) que o ministro multiplicou por 20 seu patrimônio entre 2006 e 2010. No período, ele adquiriu dois imóveis pela Projeto --um apartamento de luxo em São Paulo no valor de R$ 6,6 milhões e um escritório na mesma cidade por R$ 882 mil.

Em nota, a empresa diz que o crescimento de contratos em 2010 foi "natural".