O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu nesta quinta-feira (19) que o futuro Estado palestino deve ser “soberano” e “desmilitarizado”, em discurso sobre a visão de seu país em relação ao mundo islâmico.
Obama criticou, no entanto, a iniciativa encabeçada pela Autoridade Nacional Palestina – e apoiada por diversos países, entre eles o Brasil – de votar a criação do novo país na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), marcada para setembro próximo. A iniciativa tem irritado o governo israelense e também contraria Obama, que deu um recado direto aos palestinos.
- Ações simbólicas para isolar Israel em setembro na ONU não criarão seu Estado independente.
Obama afirmou que, em vez do debate da ONU, o novo país somente será possível se as duas partes se sentarem para conversar.
Recado aos israelenses
Em seu discurso, o presidente americano também deu um recado direto aos aliados israelenses, dizendo que a situação atual na região não pode continuar como está.
- Nosso compromisso com a segurança de Israel é inabalável [...]. Mas, justamente por causa da nossa amizade, é importante que digamos a verdade. O status quo [na região] é insustentável. E Israel deve agir também para alcançar a paz.
Atualmente, os palestinos vivem em duas regiões controladas militarmente por Israel: a faixa de Gaza, dominada pelo grupo radical Hamas, e a Cisjordânia, governada pelo mais moderado Fatah.
Os israelenses têm sido alvo de críticas pela construção de colônias nesse segundo território, onde os palestinos pretendem estabelecer seu Estado independente – Obama não citou as colônias diretamente em seu pronunciamento.
Fronteiras anteriores a 1967
Obama afirmou ainda que o futuro Estado deverá ser baseado nas fronteiras anteriores às da Guerra dos Seis Dias, de 1967, “mas com algumas mudanças negociadas”.
No conflito, os israelenses ocuparam os territórios palestinos então sob controle do Egito, da Síria e da Jordânia.
O presidente americano também respaldou as preocupações dos aliados israelenses sobre o recente acordo entre Fatah e Hamas para a realização de eleições e a formação de um governo de união nacional. Os radicais do Hamas não reconhecem a existência de Israel, algo que o presidente colocou como preocupante.
- Como negociar com um grupo que não reconhece o seu direito à existência?
Além disso, Obama disse que os pontos mais delicados na negociação entre palestinos e israelenses – o destino de Jerusalém Oriental e o retorno dos exilados palestinos à região - devem ser abordados em uma segunda etapa.
Israel reivindica a cidade de Jerusalém como a sua capital sem dividi-la com ninguém. Já os palestinos querem construir sua capital na parte leste da cidade.