Em discurso direcionado ao mundo muçulmano sobre os recentes acontecimentos no Oriente Médio e no Norte da África, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou uma ajuda econômica bilionária para o Egito e Tunísia.
Com o plano de ajuda para incentivar ainda mais a instalação da democracia nesses países, os EUA vai pagar R$ 1,6 bilhão (US$ 1 bilhão) da dívida do Egito, além de outros R$ 1,6 bilhão em novas garantias de empréstimo para apoiar o desenvolvimento de infraestrutura.
- Os EUA já pediram para o FMI [Fundo Monetário Internacional] e o Banco Mundial apresentarem na próxima semana um plano apontando o que é necessário para a região se estabilizar e promover eleições democráticas.
O plano, inicialmente destinado a Egito e Tunísia, quer incitar em outros países do Oriente Médio e do norte da África, palco de revoltas populares desde o início do ano, a empreender as mesmas reformas democráticas.
Para Obama, os levantes que varreram o mundo árabe demonstram que a política de repressão não funciona mais na região, onde as pessoas buscam conquistar liberdade e direitos humanos.
- Os acontecimentos dos últimos seis meses nos mostram que as estratégias de repressão e repúdio não funcionarão mais [...] O povo conseguiu avançar muito mais nos últimos seis meses do que os terroristas conseguiram nos últimos anos.
O presidente americano deixou claro que os EUA darão apoio irrestrito aos que "aceitarem os ricos" dessas mudanças, desde que repeitem valores universais, como a liberdade política, de expressão e a igualdade entre sexos. Obama também pede a promoção de reformas econômicas e sociais para incluir setores da sociedade carentes.
A mensagem de Obama chega em um momento tumultuado, com revoltas populares que derrubaram ditadores de muitos anos na Tunísia e no Egito, e conflitos que ameaçam os governos de Líbia, Bahrein, Síria, Iêmen e Jordânia.
Também foi impulsionado pela morte, recentemente, do chefe da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, por forças americanas.
Em discurso, Obama cita Brasil como exemplo
No discurso de mais de meia hora, Obama citou alguns países que considera exemplos de desenvolvimento e que tiveram avanços democráticos, entre eles o Brasil.
- Fiquei impressionado com os avanços que vi na Índia, Brasil e Indonésia.
Ele também lembrou da experiência democrática do Iraque, que promoveu eleições ano passado, e disse que o país pode se tornar um grande modelo na região. Obama ressaltou que o futuro dos EUA também depende do sucesso no mundo árabe.
- O futuro dos EUA está ligado ao Oriente Médio e Norte da África.
Imagem de Obama e dos EUA está baixa no mundo muçulmano
Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (18) do Pew Research Center aponta que a imagem dos EUA perdeu credibilidade no mundo muçulmano no último ano.
A Indonésia, onde Obama passou parte da infância, é o único país onde a maioria dos entrevistados afirma ter uma imagem favorável dos EUA. Mas mesmo lá, o percentual de apoio caiu de 59% para 54% entre 2010 e 2011.
Outros países muçulmanos que registraram quedas nas opiniões favoráveis aos EUA foram a Jordânia, com 13%, queda de oito pontos em um ano; a Turquia (17% para 10%) e o Paquistão (17% para 11%), onde Osama bin Laden foi encontrado e morto por forças americanas.
A pesquisa, realizada em março e abril deste ano, provavelmente registraria resultados diferentes hoje, já que a sondagem foi feita antes da operação que matou Bin Laden, no dia 1º de maio.
Outra consulta, publicada pelo instituto Gallup no começo desta semana, também mostrou que a popularidade de Obama teve queda entre os americanos, apesar da ligeira melhora logo depois da morte do terrorista chefe da Al Qaeda.
Nesta última sexta-feira (13), a aprovação de Obama era de 46%, o mesmo número que ele tinha três dias antes do ataque ao refúgio de Bin Laden no início do mês, segundo o jornal Los Angeles Times. No entanto, este número havia aumentado seis pontos percentuais, medidos pela pesquisa Gallup, após anunciar a morte do terrorista.
Primeiro discurso ao mundo muçulmano foi no Cairo em 2009
Hoje não foi a primeira vez em que o presidente americano fez um discurso ao mundo muçulmano. No dia 4 de junho de 2009, no primeiro ano de seu mandato, Obama proferiu uma mensagem histórica na Universidade do Cairo, em viagem ao Egito.
O líder disse que o Islã é parte dos EUA e propôs um novo começo nas relações entre o Ocidente e os muçulmanos, baseado em respeito mútuo e valores comuns.
Na época, o governante egípcio era Hosni Mubarak, que neste ano foi derrubado do governo por protestos populares apoiados pelos EUA, apesar de o país ser seu antigo aliado contra o extremismo islâmico.