Ao lado de uma versão da Bíblia Sagrada e de algumas fotografias de amigos e parentes, o ex-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal CadaMinuto, falando sobre passado, presente, futuro e ainda revelando os bastidores da última eleição em Alagoas.

“Toda minha carreira política foi marcada por um histórico de combate e luta pela classe menos favorecida. Fiz isso enquanto prefeito, deputado e governador. Ser engenheiro facilitou, também, na construção e na formulação dos projetos sociais que fizemos durante os dois mandatos”, defendeu Lessa ao ser questionado sobre a atuação durante toda vida pública, destacando que o ‘rompimento’ com Teotônio Vilela (PSDB), em 2007, se deu pela quebra deste conceito.

“Nos primeiros seis dias de mandato, observamos que o Téo não iria cumprir com a política que desenhamos por oito anos. Ao observar essa atitude, só coube entregar os cargos e desfazer todos os acordos políticos”, revelou o ex-governador, frisando que não houve nenhum encerramento de amizade, já que não existia.

No período eleitoral em 2010, Lessa foi acusado de ter usado diversas secretarias de Estado, enquanto governador, para acomodar os acordos políticos e com isso ter onerado a folha do estado. Sobre o assunto, o entrevistado foi categórico ao afirmar que cometeu alguns erros, já que a cultura de Alagoas não permite esse modelo de gestão.

Ao ser indagado sobre qual foi o maior ‘problema’ do período eleitoral, Ronaldo Lessa respirou fundo e disse que faltou dinheiro, Lula e Dilma.

“Contratamos diversos carros de som para colocar por toda Alagoas. Infelizmente, chegamos ao final da campanha com apenas quatro veículos para mais de 100 municípios. Atrasamos o pagamento da produtora, pessoal e outras situações”, confidenciou o pedetista, apontando o Senador Renan Calheiros (PMDB) como o homem que foi fundamental durante toda campanha política.

“Eu não sei o porquê da Dilma não ter comparecido ao estado de Alagoas. Alguns dizem que ela não desejava ser fotografada ao lado do senador Fernando Collor (PTB) e outras situações. No segundo turno, tive uma conversa com o então presidente Luís Inácio Lula (PT), onde foi colocado que a candidata à presidência teria que se deslocar nos principais coeficientes eleitorais do Brasil e Alagoas ficou fora desse mapa, mas não ficou nenhum tipo de mágoa ou rancor”, acentuou Ronaldo, esclarecendo que acredita fielmente que o governador reeleito Teotônio Vilela possa ter o mandato cassado devido as irregularidades cometidas na campanha em 2010.

Diversos Processos

Ronaldo Lessa disse ainda que os diversos processos que responde pelas acusações realizadas, seguidas vezes, em entrevistas foi de fundamental importância para a quebra de uma ‘escuridão’ no judiciário alagoano.

“Ao assumir o governo de Alagoas, percebi que eram cometidos diversos abusos no poder Judiciário e pior, com o erário, estou pagando um alto preço com esses inúmeros processos, mas rompi com uma cultura infeliz que era praticada no estado de Alagoas com evidências”, salientou Lessa, cobrando do Ministério Público de Alagoas (MPE/AL) apuração atuação nos respectivos casos.

Maceió 2012

Lessa disse ainda que o grupo do segundo turno de 2010 se mostrou bem alinhando com os anseios e os desejos da população alagoana, logo, o chapão 2012 deverá lançar seu nome como candidato majoritário e ter um vice da base do Almeida, hoje, tendo o secretário de infra-estrutura de Maceió, Mozart Amaral como o nome mais forte.

TRE/AL

Por fim, o ex-governador se mostrou bastante preocupado com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE), Orlando Manso, já que o histórico de brigas entre eles é antigo.

“Acredito que ele não poderá presidir o TRE em 2012, deve existir alguma manobra jurídica que impeça isso ou teremos que deixar esse ‘problema’ no passado. Veremos”, finalizou Lessa.