A jornalista da rede de televisão Al Jazeera, Dorothy Parvez, contou nesta quinta-feira (19) ter sido testemunha de torturas em uma penitenciária síria, onde ela passou três dias presa antes de ser enviada ao Irã, onde também permaneceu detida.
- Estive em um centro de detenção na Síria durante três dias e duas noites, e ouvi ruídos de torturas brutais. A qualquer hora do dia ou da noite ouvia-se o barulho de golpes, gritos e choro. Parecia interminável, e um dado momento você só quer tapar os ouvidos.
A jornalista, que tem nacionalidade americana, canadense e iraniana, foi posta em liberdade nesta quarta-feira (18) e se encontrava na capital do Qatar.
Dorothy desapareceu na Síria, onde tentou "entrar ilegalmente" no dia 29 de abril com um passaporte iraniano vencido, segundo o regime sírio.
Na semana passada, a embaixada síria em Washington informou que a jornalista havia sido "extraditada" no dia 1º de maio para o Irã, onde também foi detida para "verificação" de seu passaporte.
Síria denuncia sanções dos EUA contra Assad e aliados
O regime sírio denunciou ainda hoje as sanções impostas pelos Estados Unidos ao presidente Bashar Al Assad e seus aliados, afirmando que a medida "serve aos interesses de Israel", indicou a televisão estatal.
- Condenamos as medidas americanas, que fazem parte de uma série de sanções impostas pelos sucessivos governos americanos em detrimento do povo sírio, incluídas nos planos regionais destinados, sobretudo a servir aos interesses de Israel.
O departamento do Tesouro dos EUA anunciou ontem a imposição de sanções contra o presidente sírio e outros seis altos cargos do governo como medida de pressão para que detenham a repressão contra os manifestantes, que exigem maior democracia e a renúncia de Assad ao poder.
A Síria acusou aos Estados Unidos de "aplicar a política de dois pesos e duas medidas" ao condenar as vítimas dos protestos e, ao mesmo, tempo ser responsável "pela morte de dezenas de civis, entre eles crianças e mulheres", no Afeganistão, Paquistão, Iraque e Líbia.