A organização do Festival de Cannes declarou nesta quinta-feira (19) o cineasta dinamarquês Lars von Trier "persona non grata", após ter feito comentários de apoio a Adolf Hitler durante a entrevista coletiva de apresentação de seu filme Melancolia.
Por meio de um comunicado, o Festival detalhou que a declaração tem "efeitos imediatos", mas uma porta-voz explicou que o filme de Von Trier seguirá na competição. Os organizadores pediram discrição ao diretor e solicitaram que no caso de seu filme ser premiado, não compareça para receber o prêmio, segundo a mesma fonte.
Na ocasião, Von Trier declarou que chega até a simpatizar com Hitler.
- Eu entendo Hitler, embora saiba que ele fez coisas erradas, sei disso. Só estou dizendo que entendo o homem, não é o que eu chamaria de um bom homem, mas simpatizo um pouco com ele.
Von Trier depois pediu desculpas e declarou que não é antissemita, em comunicado.
- Se feri a alguém [...] me desculpo sinceramente. Não sou antissemita, nem tenho preconceitos raciais de nenhuma classe, nem sou nazista.
O Festival lembrou nesta quinta-feira em sua nota queoferece aos artistas de todo o mundo uma tribuna excepcional para apresentar suas obras e defender a liberdade de expressão e de criação. No entanto, o Conselho de Administração, reunido nesta quinta-feira em sessão extraordinária, ressaltou o peso das palavras do diretor.
- O Conselho lamenta profundamente que esta tribuna tenha sido utilizada por Lars Von Trier para pronunciar palavras inaceitáveis, intoleráveis, contrárias aos ideais de humanidade e generosidade que presidem a própria existência do Festival.
Por fim, o órgão afirmou que condena de maneira muito firme as frases e declara Lars Von Trier "persona non grata" no Festival de Cannes, com efeitos imediatos.