Após reunião de duas horas, realizada na tarde desta segunda-feira em um hotel na zona sul de São Paulo com líderes do PSB, PCdoB e do PDT, o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão, afirmou que o partido tem "total confiança" na lisura de Antonio Palocci e que "nada pesa" contra o ministro-chefe da Casa Civil. A afirmação foi feita após ele ser questionado sobre a posição do PT sobre as denúncias sobre de aumento do patrimônio do ministro.
Uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo afirmou que Palocci comprou um apartamento no valor de R$ 6,6 milhões e um escritório no valor de R$ 882 mil, controlados pela Projeto Administração de Imóveis (da qual ele tem 99,9% do capital), ambos em área nobre de São Paulo, entre 2009 e 2010, o que acabou aumentando seu patrimônio. Em 2006, quando se elegeu deputado federal, Palocci declarou à Justiça Eleitoral patrimônio estimado em R$ 375 mil. Ainda segundo o periódico, o petista recebeu R$ 974 mil brutos nos quatro anos em que exerceu o cargo de parlamentar.
"Temos total confiança na lisura do ministro. Ele já esclareceu que todos os bens estão declarados ao Fisco e que submeteu tudo isso à Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Esse tema está suficientemente esclarecido. Portanto, nós vamos continuar sustentando que nada pesa contra o ministro Palocci", afirmou Rui Falcão.
Reforma política
O tema da reunião, porém, não foi a declaração de bens do ministro-chefe da Casa Civil. Os líderes dos quatro partidos se reuniram nesta segunda-feira para discutir a reforma política. Foi a primeira de uma série de reuniões que as legendas pretendem tornar periódicas. Com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não participou da coletiva com a imprensa, o encontro teve como ponto de concordância a defesa do financiamento público exclusivo em campanhas eleitorais.
"Há um consenso que o financiamento público de campanha responde a uma série de anseios, uma busca por uma lisura maior. Por isso mesmo tem um sentido democrático e de igualdade maior. O financiamento público se insere nesse contexto", disse o presidente do PT.
Participaram da reunião o presidente do PSB e governador do Pernambuco, Eduardo Campos, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, e Brizola Neto, representante do PDT, entre outras lideranças.