A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) confirmou nesta segunda-feira (16) que os oito moradores de rua que apresentaram intoxicação após beberem de uma mesma garrafa de cachaça foram intoxicados por chumbinho. De acordo com a fundação, o resultado é definitivo já que foi feita a contraprova da substância. O exame que confirmou a presença do chumbinho foi realizado em um dos moradores de rua.

O grupo estava em uma praça no bairro Santa Amélia, na Região da Pampulha, na capital, quando encontrou uma garrafa contendo a bebida, neste domingo (15). Um dos moradores de rua recebeu alta nesta segunda-feira (16).

A suspeita é que o chumbinho, veneno usado como raticida, tenha sido colocado na cachaça com a intenção de matá-los. Um inquérito da Polícia Civil vai apurar o caso. Outros seis moradores de rua permanecem internados em Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s) da capital com quadro de saúde estável, segundo nota divulgada pela secretaria de saúde.

Um sétimo, que ainda teria sofrido uma queda e teve traumatismo craniano, está no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. De acordo com a assessoria do hospital, o quadro de saúde do paciente é considerado estável nesta segunda-feira (16) e não há previsão de alta.

População chocada
O episódio chocou moradores do bairro Santa Amélia e chamou a atenção de associações assistenciais. De acordo com a educadora social da Pastoral de Rua, Claudenice Lopes, casos de envenenamentos de moradores de rua não são muito comuns em Belo Horizonte, ao contrário de outras capitais. “Estamos assustados e indignados com essa situação, é um sinal de intolerância. É preciso pensar em alternativas concretas para ajudar essas pessoas que vivem nesta situação limite”, afirmou. Segundo ela, os dados do censo de 2005 mostram que existem 1.164 pessoas morando nas ruas, mas ela estima que o número já chega a dois mil.

De acordo com Rogério Costa, diretor da Associação Projeto Amor Franciscano, que possui um projeto social para desabrigados, no mesmo local já havia acontecido um caso semelhante. Uma pessoa teria deixado uma marmita para os moradores de rua, mas eles suspeitaram e não comeram. O alimento foi ingerido por cachorros, que morreram no mesmo dia envenenados.