A secretária da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, espera receber [hoje] uma resposta do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Fernando Pimentel, sobre a proposta da Casa Rosada de um encontro nos próximos dias para tentar pôr fim à crise comercial entre os dois principais sócios do Mercosul.
Durante o fim de semana, a secretária pediu a seus colaboradores que permanecessem em silêncio, já que, na visão do governo argentino, a solução para o conflito está nas mãos do Palácio do Planalto, informa a reportagem da correspondente Janaína Figueiredo.
Para negociar, a Argentina impôs como condição a suspensão, por parte do governo brasileiro, das barreiras à importação de veículos. A retirada de licenças automáticas para a entrada de automóveis fabricados no exterior foi adotada na semana passada, e seria uma resposta à ampliação, de 400 para 600, do número de produtos que perderam benefício semelhante para ingressar no território argentino.
A medida vem prejudicando importantes setores da indústria brasileira, como fabricantes de massas e calçados.
Já o setor automobilístico representa aproximadamente 80% das exportações argentinas para o Brasil. Pimentel nega que tenha feito uma retaliação e alega que o país foi tomado por uma enxurrada de carros importados, incluindo os da Ásia. Até ontem, não havia sinais de solução para o impasse.