Políticos que decidiram ingressar no PSD, partido criado pelo prefeito Gilberto Kassab, dizem ter a garantia de que o estatuto da nova legenda terá uma cláusula garantindo que os mandatos dos infiéis (políticos que vierem a deixar o partido mais tarde) não serão reivindicados pela sigla. O principal porta-voz desse grupo é o vice-governador da Bahia, Otto Alencar.

- Tenho um acordo com o prefeito Gilberto Kassab para que a não reivindicação dos mandatos conste no estatuto. É líquido e certo que isso vai acontecer - disse Alencar, que deixou o PP para se filiar ao PSD.

Kassab admite colocar a cláusula no estatuto, mas diz que o assunto deve ser discutido entre os futuros integrantes da legenda para se obter um consenso. A questão ainda não estaria fechada, pois há políticos favoráveis à fidelidade.

Nesta semana, o primeiro registro do PSD foi protocolado num cartório de Brasília. De acordo com o advogado Alberto Rollo, responsável pela documentação, o estatuto apresentado não tem a cláusula que impede a reivindicação de mandatos pelo partido.

- Isso não poderia ser feito porque a fidelidade partidária consta da lei - disse Rollo.

A lei estabelece que a transferência sem risco de perda de mandato é permitida apenas se o político sofrer perseguição na sua legenda, houver mudanças no programa partidário ou se for criada uma nova sigla. Além do partido "traído", o Ministério Público e o suplente também podem reivindicar o mandato do político infiel.

Kassab já disse que o PSD não será um partido nem de esquerda, nem de direita, nem de centro. Também declarou que não fará oposição ao governo federal nem integrará a base petista.

Otto Alencar é contrário à fidelidade partidária porque entende que os políticos acabam se tornando reféns dos presidentes partidários.

- A fidelidade é como a Lei do Passe que existia no futebol. Os jogadores ficavam presos aos clubes e os políticos ficam presos aos partidos. O presidente do partido tem poder maior do que generais na ditadura militar. Podem expulsar, barrar candidaturas e perseguir - disse o vice-governador baiano que antes do PP, ele foi filiado ao PL.

Um dos políticos mais próximos de Kassab, o vice-governador paulista Guilherme Afif Domingos, classificou como "bobagem" a possibilidade de o partido colocar oficialmente a rejeição à fidelidade no seu estatuto.