Milhares de manifestantes voltaram às ruas da Síria nesta sexta-feira para exigir a renúncia do ditador Bashar Assad. Segundo ativistas, as tropas do governo cumpriram as ordens de um assessor do ditador e não confrontaram a população.
Desde o início dos protestos há dois meses, as sextas-feiras -- dia da semana quando um número maior de muçulmanos comparece às mesquitas -- têm reunido maior quantidade de manifestantes nas ruas.
Não houve denúncias de ativistas ou testemunhas sobre violência e derramamento de sangue em nenhuma cidade do país, apesar da forte presença de forças de segurança em diversas cidades.
Contudo, não há informações de fontes independentes sobre as manifestações, uma vez que a imprensa internacional tem tido o acesso bloqueado ao país pelo regime.
Por isso, também não há estimativas sobre o número de participantes dos protestos.
Segundo o ativista de direitos humanos Louay Hussein, a ordem para que os militares e a polícia não atirassem nos manifestantes partiu do conselheiro de Assad, Bouthaina Shaaban.
"Ordens presidenciais definitivas foram distribuídas com a determinação de não atirar em manifestantes e quem violá-las terá completa responsabilidade sobre seus atos", disse Hussein.
A mudança de ordens acontece logo após a Síria receber forte pressão internacional para acabar com a violência contra manifestantes.
Entre as violações cometidas pelo regime estão assassinatos de manifestantes, prisões ilegais, tortura e omissão de socorro aos feridos.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que Washington e seus aliados estão buscando formas de aumentar a pressão sobre o regime sírio, para forçá-lo a aceitar reforças democráticas e encerrar a revolta.
Outra concessão feita por Assad para tentar aplacar os protestos foi a abolição do Estado de Emergência, que há 48 anos suspendia as liberdades civis dos cidadãos do país.
MULHERES
Os protestos de hoje foram batizados, em comunicações entre ativistas por meio da internet, de "sexta-feira das mulheres livres".
A ideia dos ativistas foi chamar atenção para o fato de diversas mulheres terem sido presas nas últimas semanas, em Damasco e Banias, por exigirem a libertação de seus parentes e o fim dos cercos às suas cidades.
Segundo a organização Comissão Internacional de Juristas, baseada em Genebra, pelo menos 700 opositores de Assad foram mortos desde o início dos protestos.
O governo sírio afirma que aproximadamente 100 policiais e militares morreram nos confrontos com manifestantes.