O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), e o governador do Estado, Beto Richa (PSDB) anularam a eleição e a consequente nomeação de Maurício Requião, irmão do senador e ex-governador Roberto Requião (PMDB), para o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE). Rossoni considerou irregular o processo de eleição de Maurício, que substituiu o conselheiro aposentado Henrique Naigeboren, pelo fato de a Assembleia ter marcado a eleição antes mesmo da aposentadoria do ex-conselheiro.

Assim que anulou a eleição, Rossoni levou o decreto ao governador Beto Richa, que cancelou a nomeação de Maurício para o Tribunal. "A Assembleia não poderia ter marcado a eleição sem que existisse uma vaga e, enquanto o conselheiro Naigeboren não se aposentou, não havia vaga", justificou Rossoni. Os atos foram assinados na quinta-feira, mas ainda não foram divulgados em diário oficial. Maurício Requião disse que só se pronunciará sobre o assunto após a publicação.

Maurício Requião foi eleito conselheiro em eleição aberta na Assembleia Legislativa em 2008. Ex-secretário estadual de Educação, Maurício foi indicado por Roberto Requião para disputar a vaga no tribunal. Apesar de eleito, o irmão do senador está afastado do cargo por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal desde 2009. A causa é uma ação movida pelo advogado José Cid Campelo que questiona três aspectos da eleição que levou Maurício Requião ao TCE: a abertura da vaga antes da aposentadoria, o desrespeito à súmula vinculante que veda o nepotismo no poder público e a realização de eleição aberta, que, segundo o advogado, inibiu os deputados de votarem contra a vontade do governador.

O presidente da Assembleia abriu prazo de cinco dias para que os interessados em concorrer à cadeira no TCE se inscrevam. Nada impede que Maurício Requião volte a disputar o cargo mas, com a mudança de governo, deverá enfrentar um nome forte indicado pelo governador Beto Richa.