A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, tentaram um acordo para evitar o enfrentamento. Mas, diante da irredutibilidade do senador Fernando Collor (PTB-AL), que, como presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), resistia a agilizar a votação da Lei Geral de Acesso a Documentos — cujo objetivo é acabar, nos próximos 50 anos, com o sigilo eterno de informações consideradas de Estado —, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), apresentou ontem pedido de urgência assinado pela maioria dos líderes para que a matéria seja aprovada diretamente no plenário, dia 18, sem deliberação da CRE.
Dilma queria que o projeto fosse aprovado a tempo para marcar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado ontem. Além de Collor, o também ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) tem restrições ao projeto. Como interessado, Collor avocou para si a relatoria da proposta na comissão.
Na segunda-feira, Palocci, tentou um último acordo com Collor, mas ele argumentou que alguns pontos precisam ser melhor discutidos. A proposta reduz de 30 para 25 anos, com uma prorrogação, a liberação de documentos ultrassecretos.
Com a regra, os documentos do governo Collor, que sofreu impeachment em 1992, só seriam liberados, se classificados como ultrassecretos, em 2042.
O anúncio do pedido de urgência no Plenário feito por Jucá deixou Collor muito irritado.
Ele subiu à Mesa, ponderou com Sarney e depois pediu a Jucá que o mantivesse na relatoria, mesmo em plenário, porque pretendia apresentar algumas emendas ao texto já aprovado na Câmara
