O governo espanhol, através da Advocacia-Geral do Estado, impugnou nesta quarta-feira na Corte Suprema as 254 candidaturas apresentadas pela coalizão basca Bildu às eleições locais do próximo dia 22 de maio, ao considerar que o grupo é um instrumento político da ETA.

O advogado-geral do Estado, Joaquín de Fuentes Bardají, apresentou na Corte a impugnação das candidaturas do Bildu e um segundo recurso para barrar 16 grupos de eleitores.

Segundo a Advocacia-Geral do Estado, as provas apresentadas nos recursos demonstram que a coalizão eleitoral formada pelo partido Eusko Alkartasuna (EA), Alternatiba e independentes se trata de um "plano B" do entorno político da organização terrorista ETA para ter candidatos nas próximas eleições.

O Batasuna, o partido considerado braço político da ETA, e outros grupos que tentaram tomar seu lugar foram ilegalizados pela Justiça espanhola em virtude da Lei de Partidos vigente desde 2002 que proíbe as legendas que apoiem ou amparem o terrorismo e, por isso, não podem disputar às eleições.

Segundo a Advocacia-Geral do Estado, a coalizão Bildu é um veículo formal para apresentar candidatos à votação de 22 de maio, "administrada, dirigida, articulada e coordenada" em seus aspectos fundamentais pela esquerda independentista basca, que foi ilegalizada.

O primeiro vice-presidente do governo e ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou nesta quarta-feira que os relatórios da Polícia são conclusivos: "O Bildu está na estratégia da ETA" e em suas candidaturas há pessoas relacionadas com o Batasuna.

A organização terrorista ETA, que busca a independência do País Basco pelas armas, declarou um cessar-fogo no dia 10 de janeiro após sofrer sucessivos ataques das autoridades em toda sua estrutura, com mais de 400 presos desde 2007 e um crescente assédio das forças de segurança na França e em Portugal.