Depois de mostrar ao mundo um exemplo de falta de organização e desvio de dinheiro público na preparação dos Jogos da Comunidade Britânica, realizados em Nova Déli, no ano passado, a Índia tomou nesta segunda-feira uma providência que merece ser seguida pelos outros países - como o Brasil, que enfrenta problemas nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. O ex-presidente do comitê organizador dos Jogos, Suresh Kalmadi, demitido em janeiro por ser suspeito de fraudes em contratos relacionados aos Jogos, foi preso. Kalmadi foi indiciado por corrupção e deve comparecer perante a Justiça na terça.

Entre as acusações que pesam contra Kalmadi está a suspeita de que ele favoreceu uma empresa suíça na compra de um sistema de contagem de pontos e cronometragem - em troca de propina, é claro. Além de Kalmadi, outras ex-autoridades envolvidas na organização foram presas e indiciadas em fevereiro, como o ex-secretário-geral, Lalit Bhanot, e o diretor-geral do comitê, V.K. Verma. Do orçamento total dos Jogos, de 6 bilhões de dólares, calcula-se que quase um terço (1,8 bilhões) pode ter sido desviado, segundo autoridades indianas de combate à corrupção.

Vergonha – Os conturbados Jogos da Comunidade Britânica foram um verdadeiro fiasco para a Índia, que pretendia usá-los como uma vitrine para mostrar seu recente avanço. A menos de duas semanas do início da competição, uma ponte para pedestres que ligava um estacionamento com o principal estádio dos Jogos desabou. Pelo menos 23 pessoas ficaram feridas, cinco delas com gravidade.

Obras foram terminadas às pressas, entulhos estavam pelas ruas e o sistema de encanamento e instalações elétricas estavam longe de perfeitos. Representantes da delegação escocesa classificaram a vila que receberia os atletas como “insegura e imprópria para habitação humana”. Autoridades australianas questionaram a capacidade da capital indiana de sediar o evento e alguns atletas chegaram a desistir de participar.