A Câmara dos Lordes, câmara alta do Parlamento britânico, está lotada e corre o risco de não "funcionar mais" se seu efetivo não for reduzido, alertaram nesta quarta-feira universitários em um relatório. Se o número de Lordes continuar a aumentar, a Câmara poderá "não funcionar mais, ficar ineficaz, cara e incapaz de assumir seu papel", alertaram professores da universidade londrina UCL, que pediram o fim imediato das nomeações para a Câmara dos Lordes.
O primeiro-ministro britânico conservador David Cameron nomeou depois da sua chegada a Downing Street, em maio de 2010, 117 lordes, um número "sem precedentes nos últimos anos". Como comparação, Tony Blair nomeou 374 lordes durante seus dez anos no poder (1997-2007).
A Câmara dos Lordes conta atualmente com 792 membros autorizados a comparecer às sessões e a votar, contra 650 membros na Câmara dos Comuns, câmara baixa do Parlamento britânico. "Há um verdadeiro temor de que, se as nomeações forem mantidas, a Câmara dos Lordes simplesmente pare de funcionar. Alguma coisa deve ser feita com urgência", indica o relatório, que defende que o número máximo de lordes seja fixado em 750.
Para diminuir os efetivos, os universitários britânicos propõem principalmente a permissão para que os lordes se aposentem. A maior parte deles conserva seus assentos até a morte. O governo britânico pretende propor até o final do mês de maio um projeto de lei estipulando que todos os lordes ou a grande maioria deles sejam eleitos, segundo uma porta-voz de Cameron.