Quando viu a filha recém-nascida chorando demais, vermelha e quase engasgada com a saliva, Marina Roberta Rissati, 28, se assustou. "Eu sabia que tinha que desengasgá-la, bater nas costas, mas tive medo de machucar porque ela tinha 11 dias", diz a mãe.
Marina ligou para o telefone de emergência da Polícia Militar de Cravinhos (292 km de São Paulo) para pedir ajuda. Do outro lado da linha, o soldado Marcelo Aparecido Rizoti, 37, tentou acalmá-la. "Disse que a gente ia conseguir salvar a menina, que ela precisava ficar calma para ajudar a filha", diz Rizoti.
O procedimento-padrão para desengasgar bebês, de acordo com Rizoti, é colocá-lo de bruços no braço, com a cabeça protegida pela mão de um adulto. Nessa posição, o nível da cabeça deve ficar abaixo do nível do corpo, para que o líquido responsável pelo engasgue desça e saia pela boca da criança.
"É comum bebês se engasgarem porque ainda não têm força para expulsar o líquido que incomoda", diz Rizoti.
O soldado conta que durante o procedimento já ouviu a bebê chorar e retomar o fôlego, mas mesmo assim um carro com outros dois policiais foi enviado à casa da família.
Mãe e filha foram encaminhadas ao pronto-socorro. Segundo Rissati, os médicos verificaram se havia líquido no pulmão da recém-nascida, mas constataram que tudo estava bem. Ambas foram liberadas para voltar para casa.
O atendimento ocorreu às 22h30 de 14 de abril, mas só foi divulgada nesta quarta-feira.
Hoje, com um mês e nove dias de vida, a pequena Rebeca passa bem e já deu outros sustos na mãe. "Ela já se engasgou outras vezes, mas soube o que fazer, estava mais segura", diz Rissati.