Cinco pessoas ficaram feridas neste domingo, quando partidários do regime no poder na Síria dispersaram uma manifestação a favor da liberdade em Sueida, reduto sírio da oposição no sul do país, informaram militantes dos direitos humanos.
Cerca de 400 manifestantes se reuniram numa praça de Sueida para celebrar os 65 anos da independência da Síria, segundo o Centro Sírio para a Liberdade de Expressão.
Os manifestantes foram agredidos por partidários do regime, que os dispersaram com paus e pedras.
Perto de Sueida, no povoado de al Qraya, um grupo de 150 pessoas foi impedido de celebrar a independência.
Estes novos protestos acontecem um dia depois que o presidente Bashar al Assad anunciou que o estado de emergência em vigor no país desde 1963 será abolido dentro de uma semana, satisfazendo assim uma das principais reivindicações dos manifestantes sírios.
Assad também expressou seu pesar pela morte de manifestantes, cerca de 200 segundo estimativas de ONGs de direitos humanos, durante os protestos contra seu regime./p>
O presidente sírio pronunciou seu discurso por ocasião da primeira reunião do governo formado na quinta-feira, em pleno movimento de protestos contra o regime.
Segundo ele, "a abolição da lei de emergência vai reforçar a segurança na Síria e preservará a dignidade dos cidadãos".
Em 31 março, presidente Assad encarregou uma comissão de redigir, até 25 de abril, uma nova legislação para substituir o estado de emergência.
O estado de emergência foi decretado no final de 1962 pelo partido Baath, que assumiu o poder em março de 1963.
Essa lei reduz sensivelmente as liberdades públicas, impõe restrições sobre a liberdade de reunião e movimentação, e permite a prisão de "suspeitos que ameaçam a segurança".
Segundo a Anistia Internacional, pelo menos 200 pessoas morreram na repressão do movimento de protesto iniciado em 30 de março, e as mortes foram atribuídas pelas autoridades a bandos criminosos ou armados.
Protestos irradiam por norte africano e península arábica
No dia 16 de dezembro de 2010, em ato de protesto contra o governo, um jovem desempregado morreu após imolar-se em público na capital da Tunísia. Poucas semanas depois, uma onda de protestos por melhores condições varreu o país, culminando na deposição do presidente Ben Ali. Em fevereiro, o mesmo sentimento popular tomou corpo no Egito, onde a população manteve protestos massivos até a renúncia de Hosni Mubarak.
Estes feitos irradiaram pelo norte africano e pela península arábica. Na Líbia, protestos desembocaram em uma violenta guerra civil entre rebeldes e forças de Muammar Kadafi, situação que levou a comunidade internacional a intervir no país. Mais recentemente, Iêmen e Síria vêm vivendo protestos de maior vulto. Argélia, Bahrein, Jordânia, Marrocos e Omã também vêm sendo palco de contestação política.
Cinco feridos em novas manifestações contra o governo na Síria
17/04/2011, 19:19 - Brasil/Mundo
Por Redação
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