Há apenas 15 anos, os vinhos brasileiros eram considerados de baixa qualidade até para o consumidor menos exigente do mercado interno. Hoje, além de colecionar milhares de prêmios internacionais de qualidade, os vinhos brasileiros caíram no gosto até dos mais exigentes consumidores chineses. E é para conquistar ainda mais consumidores chineses, que têm como característica o apreço a vinhos mais sofisticados e, em consequência, mais caros, que os empresários do vinho brasileiro estão na China desde sexta-feira (8).
Os industriais do vinho fazem parte da delegação de empresários brasileiros que estão em missão comercial à China e são um retrato do objetivo brasileiro na viagem à Ásia: aumentar o leque de produtos exportados para os países asiáticos. A missão foi organizada pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e pela Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e é paralela à viagem oficial da presidente Dilma Rousseff à China que começou hoje.
A missão comercial tem empresários de três setores: alimentos (carnes, frutas, laticínios, café, mel e vinho), moda (calçados e componentes de calçados) e joias.
Além dos 34 empresários que estão na missão da Apex à China, outros 237 empresários brasileiros irão acompanhar a presidente. A agenda é paralela porque os empresários da missão da Apex irão efetivamente fechar novos negócios, têm reuniões objetivas com os clientes chineses e de outros cinco países da Ásia (Malásia, Tailândia, Indonésia, Cingapura e Vietnã).
Já os empresários que acompanham a presidente Dilma participam de viagem de forma mais institucional, com objetivo final de fechar negócios, mas sem agenda específica de novos acordos. A missão de 237 empresários foi organizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em parceria com o Ministério de Relações Exteriores brasileiro.
De acordo com a CNI, o aumento significativo do comércio bilateral entre Brasil e China - que saltou de US$ 2,3 bilhões, em 2000, para US$ 56,3 bilhões, em 2010, um crescimento de quase 2.500% em dez anos - implica na diversificação da pauta de exportações brasileiras. Com indústria diversificada e de alta tecnologia, o Brasil não pode, na opinião da CNI, se concentrar nas vendas de matérias-primas à China, como vem acontecendo.
No ano passado, 84% dos produtos exportados para a China eram básicos, sendo 43% só de minério de ferro e seus derivados. Já os chineses exportam para o Brasil principalmente produtos de alta tecnologia, sendo 30% eletroeletrônicos, especialmente componentes de informática e telefonia.
Compromisso comum
O único compromisso comum das duas missões de empresários brasileiros na China será um almoço na terça-feira (12) oferecido pelo governo brasileiro para 800 pessoas, entre brasileiros e chineses, no Hotel China World Summit Wing, em Pequim.
O almoço será após um seminário que irá discutir a ampliação do comércio bilateral e as oportunidades de investimentos nos dois países. Serão servidos no almoço os vinhos brasileiros Lote 43 e o espumante Millésime, ambos da vinícola Miolo.
Durante o seminário, os temas que dominarão as discussões serão possíveis parcerias em ciência e tecnologia para a exploração do pré-sal e no agronegócio brasileiro. As obras do PAC também serão ‘vendidas’ pelos brasileiros como bons investimentos para os chineses. O ‘garoto-propaganda’ das obras brasileiras de infraestrutura será o megaempresário Eike Batista.
Eike irá propor ainda aos chineses investimentos nos portos de Vitória (ES) e Açu (RJ) e na fabricação de motores automotivos bicombustíveis (flex fuel). Haverá, ainda, debates sobre os planos de expansão de empresas brasileiras com atuação na China, como a Marcopolo, montadora de ônibus, o frigorífico Marfrig e a WEG, fabricante de motores.
Paralelamente ao seminário, os 237 empresários que acompanham a presidente participarão de uma rodada de negócios coordenada pelo Itamaraty.
Alguns dos empresários da missão da CNI também acompanharão a presidente Dilma à Sanya, na ilha de Hainan, no sul da China. Na ilha, Dilma participará da Cúpula dos Brisc (bloco do Brasil, Rússia, Índia e China), na quinta-feira (14).
O fórum discute, entre outros temas, o crescimento da importância dos quatro países na economia mundial e o uso de energias alternativas.
Desde abril de 2009, a China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. No ano passado, a balança bilateral repetiu o superávit de 2009 para o lado brasileiro, registrando US$ 5,1 bilhões. Em 2010, o Brasil vendeu à China US$ 30,7 bilhões, 46,5% mais do que no ano anterior, e importou de lá 60,8% mais, no valor de US$ 25,5 bilhões. O mercado chinês representa 15,2% das exportações totais do Brasil.