A instabilidade das encostas da Rodovia Rio-Santos (BR-101), no trecho que passa pelo município de Angra dos Reis, foi a principal preocupação dos senadores que integram a Comissão Temporária Externa do Senado. Eles estiveram nesta sexta-feira na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, que reúne as usinas Angra 1 e 2, em operação, e Angra 3, em fase de construção, e viram de perto que a rodovia não oferece segurança como rota de escape para a população em caso de acidente nuclear.

"Não há uma outra rota para evacuar a população que não seja pela BR-101. E ela vive constantemente sendo interrompida pelos desmoronamentos. Em qualquer chuva, na BR-101 há desmoronamentos. Então, esse é o ponto mais sensível", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Apesar disso, a primeira impressão dos senadores que visitaram a Central Nuclear, segundo Farias, é que "do portão para dentro, as usinas (Angra 1 e 2) têm de fato um padrão de segurança elevado".

O grupo conversou com a população sobre treinamento para uma eventual necessidade de evacuação. O senador fluminense espera apresentar o relatório sobre a visita às usinas nucleares em 15 dias. "A gente espera que o governo federal e a Eletronuclear tomem posições muito objetivas para resolver esse problema que nós encontramos aqui", disse Lindbergh Farias.

Ele disse que todos os países estão discutindo o seu programa nuclear depois da tragédia ocorrida em Fukushima, no Japão, cuja costa nordeste foi devastada por um terremoto seguido de tsunami no dia 11 de março passado. Essa discussão, acrescentou, é feita "à luz da questão da segurança pública".