O presidente de Bolívia, Evo Morales, criou um departamento especial para cuidar da demanda do país de obter um acesso marítimo soberano através do território do Chile e designou como seu primeiro diretor o atual ministro da Defesa, Rubén Saavedra.

O ministro, com status de embaixador extraordinário, será o diretor da Direção Estratégia Marítima, que cuidará de uma nova demanda boliviana em organismos internacionais exigindo que o Chile atenda ao apelo de La Paz por uma saída para o oceano Pacífico.

"Todas as nossas ações a respeito de voltar ao mar com soberania vão percorrer com certeza um longo caminho, que daremos com passos prudentes mas firmes", disse Saavedra, na noite de terça-feira, após tomar posse.

O novo órgão marca o mais recente capítulo na prolongada disputa da Bolívia para recuperar o acesso ao mar que perdeu para o Chile numa guerra no século 19.

Os dois países não têm relações diplomáticas desde 1978, quando fracassou uma negociação sobre o pedido boliviano por um acesso marítimo.

Morales disse que foi obrigado a recorrer a uma ação judicial contra o Chile devido à falta de avanços nos diálogos realizados nos últimos cinco anos.

"Esta decisão tem o único propósito de que se faça justiça com a Bolívia, e para isso também apelaremos a especialistas internacionais para assumir essa responsabilidade", disse Morales.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, rejeitou a nova estratégia boliviana, adiantando no fim de semana que o pedido de soberania é "impossível de atender", segundo a imprensa chilena.