Com a demanda de derivados no País crescendo mais rápido do que a economia, a Petrobras pode antecipar a entrada em operação de algumas de suas cinco refinarias planejadas para serem construídas nos próximos anos, informou o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.
Segundo ele, no primeiro trimestre deste ano a demanda por derivados ficou na casa dos 5%, enquanto que para o ano a projeção de expansão da economia é de 4,5%. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5%, com a demanda por derivados avançando 10%.
A Petrobras tem em andamento cinco projetos de refino no País, sendo dois dentro do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); um em Pernambuco (Abreu Lima); e outros dois nos Estados do Maranhão e do Ceará. "Se houver essa demanda de mercado maior, como estamos imaginando, e, há uma grande tendência que isso ocorra, é possível, principalmente nas refinarias do Nordeste, entre elas Maranhão, Ceará, e quem sabe na segunda do Comperj, (podemos fazer) um esforço maior visando essa antecipação", disse Costa a jornalistas durante visita ao Comperj nesta segunda-feira.
A refinaria do Maranhão está prevista inicialmente para ficar pronta em 2014; a do Ceará, em 2017; e a segunda planta de refino do Comperj, em 2018. "Estamos acompanhando mês a mês a demanda de derivados e a necessidade de atender essa demanda com importação... queremos ser o mais breve possível autossuficiente em derivados", afirmou Costa, que evitou se posicionar sobre a necessidade da estatal programar uma sexta planta de refino no País.
Diante da demanda superaquecida a Petrobras importou em 2010 3 milhões de litros de gasolina e já programou para esse mês um carga de 1,5 milhão de litros do combustível. "Vamos analisar o mercado até 15 de abril para ver se será necessário importar novas cargas em maio e junho...nosso compromisso é atender o mercado e que não falte uma gota para o consumidor", disse.
Ele aproveitou para defender o planejamento estratégico da empresa ao ampliar seu parque de refino, apesar das várias críticas do mercado de que a margem de refino é muito baixa. "Quem critica refinarias é míope. Só olha para o amanhã e não tem condições de olhar para depois de amanhã", disse ele.
O diretor da estatal visitou as obras do Comperj, no município de Itaboraí, na região metropolitana do Rio. O projeto, concebido em 2008 para ser uma unidade petroquímica integrada e com foco na produção de matérias primas da indústria plástica, mudou o perfil devido ao crescimento da demanda por derivados.
Agora serão duas refinarias para produzir diesel, GLP (gás de cozinha), enxofre, coque e querosene de aviação, com capacidade, cada uma, para processar 165 mil barris de petróleo ao dia. A primeira planta deve ficar pronta em 2013 e a segunda, se na houver antecipação, em 2018. A unidade petroquímica, prevista para 2017 vai produzir eteno, propeno, polietilenos, polipropileno entre outros produtos.
A matéria-prima inicial do projeto seria óleo pesado e depois, numa segunda etapa passou para nafta. Com a descoberta do pré-sal, segundo Costa, a estatal vai usar gás natural dos gigantescos reservatórios tanto para produção de derivados de petróleo quanto para a fabricação de insumos químicos.
A Petrobras estuda construir dutos submarinos de 250 km a 300 km de extensão para trazer o gás extraído do pré-sal até a costa. Outra alternativa seria a liquefação do gás em alto-mar para ser regaseificado em um terminal da empresa na costa, nas proximidades do pré-sal da bacia de Santos