A presidente do Sindcato dos Guardas Civis Municipais do Estado de Alagoas (Sindguarda), Cleif Ricardo lamentou as condições de trabalho da categoria para cumprir suas funções perante o município de Maceió. Ela citou a falta de infra-estrutura adequada para trabalhar, além de humilhações, sem contar a exposição constante à ação dos marginais.
Segundo Cleif várias instituições de ensino do município já foram assaltadas, a exemplo da Escola Professora Marizete Correia Nunes, invadida 18ª vezes. Ela salientou que a própria unidade escolar não oferece uma estrutura capaz, sequer, de intimidar os meliantes, sendo cercada por muros baixos, o que, em tempos de violência constante, inscita a ousadia dos bandidos.
"Essa é a realidade não só em Maceió, mas de tantas outras cidades alagoanas. As escolas têm seus pertences levados, deixando à margem do desenvolvimento escolar tantos alunos que já vivem esse drama. Nosso companheiro de farda, que na ocasião estava doente, não dispõe, em seus turnos, do mínimo do que se consideram condições dignas de trabalho: banheiro existe, mas longe do que se imagina do quesito higiene, água é artigo de luxo e, o mais frustrante: querer levar a sociedade à culpabilizar um trabalhador que, mesmo que estive presente jamais deveria expor sua vida, enfrentando bandidos", desabafou.
De acordo com ela esse fato tem sido amplamente abordado nas discussões do Sindguarda com sua base, que defende a regularização do porte de arma para os guardas municipais de Maceió. "Talvez, vivendo essa realidade e com outras condições que favorecessem a atuação dos guardas, fosse possível que a sociedade em geral julgasse um profissional que mesmo desarmado encara a violência, pondo em risco sua vida, quando o poder público se esconde atrás de seus birôs e de seus seguranças armados", desabafou.
Cleif Ricardo afirmou que enquanto a violência avança nas escolas, o secretário municipal de Educação, Thomaz Beltrão, utiliza o espaço da imprensa para destacar o investimento proposto pelo município, e R$ 1 milhão e 230 mil, em vigilância eletrônica para cobrir 132 unidades de ensino e mais três anexos da Semed. "Não vemos nisso uma solução viável. Pelo contrário, o maior gasto que será gerado para os cofres municipais, com certeza, não inibirá a ação dos meliantes. Devia-se aplicar o investimento na Guarda Municipal, através de capacitação e na criação de um grupamento que trabalhasse de forma específica junto às escolas do município", destacou a presidente do Sindguarda.