Centenas de jovens protestaram nesta terça-feira em Aden, no sul do Iêmen, para denunciar a explosão de uma fábrica de munições em Abyan que na segunda-feira deixou 150 mortos e cuja responsabilidade foi atribuída às autoridades iemenitas.

Os manifestantes, entre eles diversas mulheres, protestaram agitando cartazes pretos em sinal de luto e denunciaram o "massacre de Abyan" atribuído à negligência das autoridades. Também gritaram frases pedindo a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos.

"O balanço definitivo de vítimas da explosão da fábrica de muniões '7 de outubro' alcança os 150 mortos e mais de 80 feridos", anunciou horas antes o vice-governador da província de Abyan, Ahmed Ghaleb al Rahoui.

As vítimas são civis que na segunda-feira entraram na fábrica para tentar recuperar armas e munições, no dia seguinte a uma operação de membros da Al-Qaeda que atacaram essa unidade de produção militar e levaram caixas com munições.

Protestos irradiam por norte africano e península arábica
No dia 16 de dezembro de 2010, em ato de protesto contra o governo, um jovem desempregado morreu após imolar-se em público na capital da Tunísia. Poucas semanas depois, uma onda de protestos por melhores condições varreu o país, culminando na deposição do presidente Ben Ali. Em fevereiro, o mesmo sentimento popular tomou corpo no Egito, onde a população manteve protestos massivos até a renúncia de Hosni Mubarak.

Estes feitos irradiaram pelo norte africano e pela península arábica. Na Líbia, protestos desembocaram em uma violenta guerra civil entre rebeldes e forças de Muammar Kadafi, situação que levou a comunidade internacional a intervir no país. Mais recentemente, Iêmen e Síria vêm vivendo protestos de maior vulto. Argélia, Bahrein, Jordânia, Marrocos e Omã também vêm sendo palco de contestação política.