Candidato apoiado pelo governo brasileiro para a direção-geral da FAO, órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) para agricultura e alimentação, o ex-ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano da Silva, ganhará um salário de R$ 8.988 da Presidência da República enquanto se dedica à sua campanha.
Representante do escritório regional da FAO na América Latina e Caribe, localizado em Santiago, Graziano tirou licença não remunerada desse posto até a eleição para a direção-geral, que ocorre durante a conferência da entidade, realizada entre 25 de junho e 2 de julho em Roma. De acordo com a assessoria de imprensa do escritório em Santiago, ele terá que viajar pelo mundo nos próximos meses para fazer campanha.
A nomeação de Graziano para exercer o cargo de “assessor especial do gabinete-adjunto de gestão e atendimento do gabinete pessoal da presidenta da República”, com salário de quase R$ 9.000, foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (22). Procurada, a assessoria da Presidência não soube informar, até a publicação desta reportagem, de que forma ele vai assessorar Dilma e se ele dará expediente no Planalto.
Na última sexta-feira, o ex-ministro declarou que tem o apoio de Dilma para concorrer ao posto mais importante da FAO.
- Perguntei se ela [Dilma] estava disposta a correr o risco, pois toda a eleição se corre o risco de perder. E ela me respondeu: "Eu tenho cara de quem tem medo de perder?".
De acordo com a embaixadora Vera Machado, a presidente determinou ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, que tratasse a candidatura de Graziano como uma questão de Estado.
Doutor em Economia pela Universidade de Campinas, Graziano coordenou a elaboração do Programa Fome Zero, primeira grande iniciativa do governo Lula. Além de ministro extraordinário, ele ocupou ainda o cargo de assessor especial do ex-presidente antes de assumir o escritório da FAO em Santiago, em março de 2006.
Na disputa pela direção-geral do braço da ONU (Organização das Nações Unidas) para segurança alimentar, Graziano enfrentará mais cinco candidatos, sendo o mais forte deles o ex-chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos.