A maioria dos egípcios que votaram no referendo aprovou mudanças constitucionais que permitirão a passagem do domínio militar para eleições democráticas, anunciou uma autoridade judicial neste domingo (20).

As eleições parlamentares podem ser convocadas em setembro.

Mohammed Ahmed Attiyah, diretor do Comitê Supremo Judicial que supervisionou o referendo, disse a jornalistas que 77% das mais de 18,5 milhões de pessoas que votaram aprovaram as mudanças.

O comparecimento às urnas foi de 41,2%, entre 45 milhões de eleitores, disse ele.

A Irmandade Muçulmana e dissidentes do partido do ex-presidente deposto Hosni Mubarak pediram votos pelo "sim", e analistas disseram que eles serão os mais beneficiados em uma eleição próxima.

Já reformistas pediram votos pelo "não", entre os quais se destacavam opositores como o Prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, e políticos veteranos, como o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa.

O principal argumento do usado pelos defensores do "não", era a necessidade de uma nova constituição para romper totalmente com o regime anterior. Os que defendiam o "sim" insistiram que esta opção repercute a estabilidade do país, necessária para a transição rumo à democracia.

Neste sábado (19), o candidato presidencial Mohamed ElBaradei foi atacado por jovens que atiraram objetos contra o ex-diretor da agência nuclear da ONU (Organização das Nações Unidas), quando tentava votar no referendo.