O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira que o ditador líbio, Muammar Gaddafi, deve obedecer os pontos previstos na resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovada no dia anterior. Caso contrário, o líder americano disse que a comunidade internacional poderá impor consequências ao regime líbio.

Segundo ele, o objetivo da resolução, aprovada pelo Conselho de Segurança, é fazer com que a violência contra o povo líbio pare. O documento liberou os países a usarem força militar no país africano para alcançar esse objetivo. A medida foi patrocinada pela França, Reino Unido e EUA..

"Todos os ataques contra todos os civis devem parar", afirmou Obama, em discurso na Casa Branca. O presidente americano afirmou, no entanto, que os EUA não irão enviar tropas para o país do norte da África.

Mais cedo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, havia dito que é muito cedo para avaliar o anúncio de cessar-fogo feito há algumas horas pelo governo da Líbia e ressaltou que qualquer opção de negociação com Trípoli deve acabar com a saída de Gaddafi do poder.

Hillary afirmou em entrevista coletiva que a situação na Líbia é muito fluída e dinâmica e é difícil avaliar neste momento qual será o resultado da resolução aprovada na véspera pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e do consequente cessar-fogo decretado pelo governo líbio.

"Um esforço diplomático necessário para responder as perguntas e determinar a resolução foi muito intenso nas últimas semanas", disse Hillary.

"O voto por ampla maioria traz o entendimento de que a violência deve acabar", disse a secretária americana. A medida foi aprovada por dez votos a favor, incluindo Estados Unidos, sem nenhum voto contra e cinco abstenções, incluindo o Brasil.

"Nós aprovamos a resolução e agora vamos trabalhar para operacionalizá-la".

O governo da Líbia anunciou o cessar-fogo imediato em obediência à resolução do Conselho de Segurança aprovada na noite de quinta-feira e que permite aos países usar a força militar no país africano para proteger os civis. A medida foi patrocinada pela França, Reino Unido e EUA.

A aprovação da resolução pela ONU era o obstáculo que os países citavam para não iniciar uma intervenção na guerra que se arrasta há um mês na Líbia, entre as forças leais ao ditador e rebeldes de oposição. Não há um saldo oficial atualizado, mas estimativas de organizações humanitárias falam em até 6.000 vítimas em mais de um mês de confrontos.

Hillary disse que a comunidade internacional não vai se contentar com nada menos do que a retirada total das tropas de Gaddafi do leste líbio, onde elas enfrentam as forças rebeldes.

Pouco antes da aprovação da resolução da ONU, as forças de Gaddafi se preparavam para uma grande ofensiva em Benghazi, reduto dos rebeldes.

"Nós não seremos impressionados por palavras, nós teremos que ver ação no solo e isso ainda não está claro", disse Hillary. "Nós continuaremos a trabalhar com nossos parceiros na comunidade internacional para pressionar Gaddafi e apoiar as legítimas aspirações do povo líbio".

A secretária ressaltou, contudo, que a comunidade internacional deve caminhar "um passo por vez" --aparentemente um recado para a França, que pouco depois da aprovação da resolução, já iniciava seus preparativos e falava em um ataque "em horas".

O Reino Unido também já agiu e deslocou seus aviões de guerra para bases próximas e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) também já iniciara seus preparativos para uma intervenção.