A comitiva de empresários que acompanhará o presidente dos EUA, Barack Obama, que inicia no próximo sábado uma visita ao Brasil, vem majoritariamente ao País em busca de negócios no setor de infraestrutura e energia. Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, além da exploração do pré-sal, o grupo acredita ter a capacidade de investimento necessária de que o Brasil precisa nessas áreas. A avaliação é da Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).
De acordo com a entidade, cerca de 60 empresas estarão representadas na visita. Obama vai a Brasília no próximo sábado e ao Rio de Janeiro no domingo. No dia seguinte, ele embarca para o Chile.
"Há muito a ser discutido. A viagem é curta e serão algumas horas de trabalho, de contato. Talvez não tenhamos uma quantidade tão grande de contratos firmados. Pouca coisa concreta, mas muita coisa ficará encaminhada", diz Gabriel Rico, presidente da entidade. Os empresários ainda ficam mais um dia no Brasil e terão uma reunião com os colegas brasileiros na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), segunda-feira.
Segundo Diego Bonomo, diretor da Amcham, há a expectativa de um acordo econômico-comercial entre os dois países, além de avanços na questão do etanol brasileiro, que, segundo ele, é um tema importantíssimo do encontro entre Obama e a presidente brasileira Dilma Rousseff.
"Somos favoráveis para eliminação dos subsídios do etanol e dos produtos agrícolas brasileiros. Isso é de total importância. Mas essa não é uma questão presidencial e tem de passar pelo Congresso americano. O que se pode ter aqui é uma sinalização política para que isso aconteça", diz.
Steven Bips, representante da Câmara de Comércio Americana, afirma que o Brasil deixa de ser um País importante para ser estratégico na relação com os EUA.
"Temos muitas empresas que somente agora estão se interessando pelo Brasil, depois que o País passou a ter uma maior estabilidade política e econômica. O Brasil não é um país para amadores. Essas empresas achavam o Brasil muito instável, o que não acontece agora", diz.
Nas discussões também deve entrar o tema da troca de informações tributárias entre os dois países, o que poderia melhorar o ambiente de negócios. A avaliação é que isso pode evitar a dupla tributação. O caso está em análise no Senado brasileiro.
Rico disse ainda que o comprometimento da presidente Dilma Rousseff com a questão de direitos humanos ajudou no agendamento da visita. Dilma deve retribuir a visita aos EUA ainda neste primeiro semestre.
"A postura recente que o Brasil teve nessa área é um assunto que incomodou a relação entre Brasil-EUA. O Brasil foi alertado para uma certa ambiguidade em regimes que tem pouco respeito aos direitos humanos. A Dilma, mesmo antes de assumir, se colocou e tem agido dessa maneira de maneira consistente em relação a esse tema", afirmou.