O soldado da Polícia Militar Adelmo de Paula Zuccheratte, suspeito de envolvimento na morte de duas pessoas em uma favela de Belo Horizonte (MG), será solto ainda nesta quarta-feira, depois de ficar preso por 23 dias no 5º Batalhão da PM no bairro Gameleira, na região oeste de Belo Horizonte. O juiz coronel Rubio Paulino Coelho, do Tribunal de Justiça Militar, concedeu o habeas-corpus solicitado pelo advogado de defesa do militar.

O soldado era o motorista da viatura que levou até o Aglomerado da Serra os três policiais que são acusados da morte do enfermeiro Renilson Veriano da Silva, 39 anos, e do sobrinho dele, Jeferson Coelho da Silva, 17 anos. Os dois foram executados com tiros no peito disparados por armas de grosso calibre e a curta distância, segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte. O crime ocorreu no dia 19 de fevereiro.

Zuccherate foi indiciado nesta terça-feira pela Corregedoria da PM pelo crime de prevaricação, crime cometido por funcionário público que tenta obter para si vantagem. De acordo com as investigações, ele teria participado de uma suposta armação que tentou encobrir os assassinatos. No dia, os militares envolvidos registraram no boletim de ocorrência que foram recebidos a tiros pelas vítimas, e que estas estariam usando fardas da PM, o que não foi confirmado pelas investigações.

O militar alega que no dia apenas levou os colegas de farda ao aglomerado. Em depoimento à Corregedoria, ele afirmou que ficou na esquina de avenida Afonso Pena com a rua do Ouro, na entrada da favela, aguardando ser chamado novamente para buscá-los.

Além de Zuccherate, estavam na viatura do Batalhão Rotam os soldados Jason Paschoalino e Jonas David Rosa - indiciados também pelo crime de homicídio - e o cabo Fábio de Oliveira, 45 anos, que foi encontrado morto em uma cela do batalhão onde estava preso e por isso teve a sua punição extinta.