Os graves problemas que afetam duas grandes centrais nucleares do Japão levarão o país a promover um racionamento de energia, informaram neste domingo (13) o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, e seu chefe de gabinete, Yukio Edano. Kan afirmou que o país vive sua crise mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Os cortes programados devem atingir também a capital Tóquio.Em entrevista coletiva, Kan pediu um sacrifício à população japonesa e disse que o povo de seu país já superou situações muito difíceis.

- Nós japoneses vamos superar essa crise. Nós japoneses já superamos várias dificuldades no passado. Estou confiante de que o povo japonês pode se unir e trabalhar junto. Eu peço a cada um de vocês que mantenham a determinação.

O Japão luta para evitar vazamentos de radiação em larga escala em duas usinas em Fukushima, no nordeste do país, depois do terremoto de 8,9 graus que atingiu o país na última sexta-feira (11), seguido por um tsunami que varreu povoados inteiros.

Kan declarou neste domingo que a situação ainda é muito grave na usina nuclear de Fukushima 1, dois dias após o terremoto que destruiu o nordeste do país.

O país ainda mantém vivo o trauma nuclear da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando foi atingido por duas bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki. As duas bombas, juntas, mataram mais de 200 mil pessoas e praticamente encerraram o conflito.

O Japão já enfrenta cortes de eletricidade em grande escala após o sismo, seguido de tsunami, uma tragédia que acarretou a paralisação de várias usinas nucleares.

Pelo menos 5 milhões estão sem eletricidade

Ao menos 5 milhões de pessoas ficaram sem eletricidade depois que o terremoto e as ondas gigantes interromperam o funcionamento das usinas nucleares do complexo de Fukushima. As centrais atômicas correm o risco de derretimento do núcleo dos reatores, enquanto os níveis de radiação no local já superaram os limites aceitos internacionalmente.

Longas filas em supermercados e postos de combustíveis podiam ser vistas neste domingo (13) na região de Sendai, uma das mais afetadas pelo tremor e pelos tsunamis. Aqueles que conseguem entrar nas lojas encontram muitas das prateleiras completamente vazias.

A imprensa japonesa afirma que cerca de 1 milhão de casas estão sem suprimento de água potável. A confirmação do vazamento de resíduos radioativos das usinas de Fukushima também gerou uma corrida por garrafas de água, já que o governo local aconselhou os moradores e não beber das torneiras.

Alguns dos marcos turísticos mais importantes do Japão tiveram suas luzes desligadas neste sábado (12) em sinal de respeito aos mortos e como medida de economia de eletricidade.

Na capital, a Tokyo Tower, símbolo da ascensão japonesa após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi fechada para a visitação e teve sua iluminação apagada na noite deste sábado. De acordo com a empresa que administra o ponto turístico, o local permanecerá fechado ao menos até a próxima terça-feira (15).

O fechamento da torre na capital também ocorreu por medida de segurança, já que o topo da estrutura, que abriga uma antena de transmissão, foi dobrado pela força do tremor.


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