Os partidos do Parlamento Europeu pediram nesta quarta-feira à alta representante de Política Externa e Segurança Comum da União Europeia (UE), Catherine Ashton, que articule com os 27 países-membros do bloco uma missão de exclusão aérea na Líbia para neutralizar a ofensiva do ditador Muammar Gaddafi sobre os rebeldes que controlam o leste do país.

A grande maioria das formações do Parlamento (PPE, S&D, Alde, Verdes e ECR) reivindicou aos países da UE que lancem uma ofensiva contra as defesas aéreas do regime líbio para evitar que continue bombardeando a população.

"A UE deve transmitir uma mensagem clara: Gaddafi deve deixar o poder", disse o eurodeputado José Ignacio López Salafranca, do PPE.

O líder dos socialistas, Martin Schultz, também defendeu a zona de exclusão aérea sobre a Líbia, mas assinalou que deve contar com o sinal verde da ONU (Organização das Nações Unidas) e da Liga Árabe.

Representantes do Conselho Nacional de Transição líbio, criado pelos rebeldes de Benghazi, visitaram o Parlamento Europeu.

Os liberais, anfitriões da visita, pediram a Ashton que a UE reconheça o órgão para dar-lhe legitimidade como representante da oposição líbia.

"Devemos dar início ao processo de reconhecimento do CNT como representante do povo líbio", argumentou o líder da bancada liberal-democrata, Guy Verhofstadt, na sede do Parlamento em Estrasburgo (França).

"Senhora Ashton, pedimos que reconheça o governo interno, uma vez que é a única força que pode levar a democracia à Líbia", insistiu por sua vez o co-presidente dos Verdes, Daniel Cohn-Bendit.

O CNT, cuja criação foi anunciada em 27 de fevereiro, é dirigido pelo ex-ministro líbio da Justiça, Mustafah Abdel Jalil.

Ashton reagiu ao pedido dos eurodeputados, lembrando que cabe aos chefes de Estado e governo da UE adotar esta decisão.

Ao contrário da Tunísia e do Egito, onde as revoltas populares conseguiram derrubar seus regimes em poucos dias, a Líbia não conta com instituições bem estabelecidas, partidos políticos ou imprensa independente.