A luta pelo controle da Líbia não dá trégua e o país se aproxima, cada vez mais, de uma guerra civil. Forças leais ao ditador Muammar Gaddafi retomaram nesta sexta-feira (4) o controle de Zawiya, cidade a 50 km de Trípoli. A batalha deixou 35 mortos, segundo fontes citadas pelo jornal The New York Times. Em Benghazi, a explosão de um depósito de armamentos deixou 17 mortos.
Segundo uma testemunha ouvida pelo The New York Times, o massacre ocorreu após a prece de sexta-feira, dia santo para os muçulmanos, depois que um grupo de manifestantes decidiu marchar até a capital, Trípoli, para lutar contra o regime. Mercenários estrangeiros contratados pelo regime abriram fogo contra a oposição, matando 35 pessoas e deixando ao menos 50 feridos.
Segundo os relatos citados pelo jornal, os mercenários chegaram a atacar as ambulâncias que socorriam os feridos.
Benghazi é bombardeada
Um porta-voz das forças rebeldes disse que forças governistas bombardearam na sexta-feira um depósito de armas nos arredores de Benghazi.
Pelo menos 17 pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas nas duas explosões que destruíram. A informação foi confirmada pelo médico Nasser Tumi, do hospital Al Jala, ouvido pela agência France Presse.
Não há números consolidados, mas organizações de direitos humanos baseadas na Líbia chegaram a anunciar a morte de 6.000 pessoas, desde o início da crise, em 15 de fevereiro.
Regime reprime protestos em Trípoli
Em Trípoli, um grupo de jovens também resolveu protestar após as orações de sexta-feira. As forças do regime reprimiram rapidamente a manifestação com tiros e gás lacrimogênio.
O protestou ocorreu no bairro de Tajoura, um reduto oposicionista na capital. Trípoli é um dos poucos locais integralmente controlados pelo regime de Gaddafi, que se mantém no poder há quatro décadas.
Rebeldes dizem dominar Ras Lanuf
No leste, os rebeldes disseram que suas forças tomaram Ras Lanuf, que fica em uma estratégica estrada litorânea. Horas antes, eles haviam anunciado a captura do aeroporto local.
Os rebeldes já dominam grande parte do leste da Líbia, inclusive Benghazi, segunda maior cidade do país e epicentro da revolta contra Gaddafi.
Crise humanitária na Tunísia
A rebelião provoca também uma crise humanitária na vizinha Tunísia, onde dezenas de milhares de trabalhadores estrangeiros se refugiaram. Uma ponte aérea internacional foi implementada, reduzindo o número de refugiados nos acampamentos.
Os rebeldes disseram anteriormente à Reuters que estavam dispostos a negociar um acordo que leve à renúncia e/ou exílio de Gaddafi, que tem sido alvo de críticas e sanções internacionais devido aos ataques contra civis.
Governos ocidentais pressionam Gaddafi a renunciar e avaliam diversas opções, incluindo a imposição de uma zona de exclusão aérea, mas são cautelosos sobre qualquer envolvimento militar nessa crise.