Um líder rebelde e ao menos 30 civis morreram nesta sexta-feira (4) quando forças de seguranças leais ao líder líbio Muammar Gaddafi tentaram retomar a cidade de Zawiya, próxima à capital, que está há dias contra o governo, disseram moradores.
Um morador de Zawiyah, que se identificou apenas como Mohamed, descreveu a situação na cidade à agência de notícias Reuters.
- Estive no hospital há menos de 15 minutos. Dezenas morreram e outros ficaram feridos. Contamos 30 civis mortos. O hospital estava lotado. Eles não conseguiam achar um espaço para as vítimas. Recebemos informações do hospital e eles dizem que o número de vítimas está aumentando.
Entre os mortos está o líder dos rebeldes em Zawiyah, informou um porta-voz do grupo, Youssef Shagan, à agência Reuters.
- Muitas pessoas foram mortas em Harsha [cidade vizinha a Zawiyah], que agora está ocupada por eles. Eles atiraram nos civis. Nós ainda estamos no controle da praça central [de Zawiyah]. Eles estão a 4 km ou 5 km de distância. Nosso comandante militar foi morto em Harsha. Nós nomeados um substituto.
Outro morador, chamado Ibrahim, disse que entre 40 e 50 pessoas morreram nos confrontos.
Os relatos deles ainda não puderam ser verificados.
Ditador retoma território dos rebeldes
As tropas líbias voltaram a bombardear posições rebeldes nesta sexta-feira pelo terceiro dia consecutivo, no leste do país, enquanto o Gaddafi reprimiu fortemente protestos na capital da Líbia, Trípoli, informou o jornal parisiense Le Figaro. Com um correspondente da cidade, a publicação relata que houve feridos em uma tentativa de manifestação na praça Verde.
A Força Aérea da Líbia lançou "uma bomba sobre o exterior da base militar próxima a Ajdabiya", declarou Mohamad Abdalah, insurgente que lutava na última barreira da cidade, na estrada para Brega (70 km a oeste), onde violentos combates ocorreram na última quarta-feira (2). Enquanto isso, Saif al Islam, filho de Gaddafi, disse que tais ações são apenas para assustar.
Outros opositores confirmaram o bombardeio, que não teria causado vítimas ou danos materiais.
Brega, um porto petroleiro, e Ajdabiya são dois pontos estratégicos na estrada que liga Trípoli a Benghazi (1.000 km leste da capital), transformada em bastião da insurreição iniciada em 15 de fevereiro.
As tropas do coronel, por sua vez, mantêm o controle do oeste, perto da fronteira com a Tunísia, onde milhares de pessoas que fugiram da repressão líbia tentam atravessar a fronteira, indicou em Genebra o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).
Uma outra batalha, em Ras Lanuf, ganha proporções importantes, de acordo com o correspondente do jornal britânico The Guardian no local.
Obama diz que estuda "todas as opções"
O presidente americano, Barack Obama, indicou nesta quinta-feira (3) que estudava "toda gama de opções" disponíveis para acabar com "a horrível violência".
- A violência deve parar. Muammar Gaddafi perdeu a legitimidade para liderar, e deve sair.
Devido ao temor de protestos após as orações de sexta-feira, a internet amanheceu cortada na capital.
Em Brega, os atemorizados habitantes montaram baterias antiaéreas para se defender.
Os bombardeios de quinta-feira também não deixaram vítimas. Os de quarta-feira foram em apoio a um ataque terrestre, que foi repelido após violentos combates, que terminaram com a morte de nove rebeldes e três agressores.