A Suprema Corte da Índia determinou que foi ilegal a escolha de P.J. Thomas para chefiar um órgão anticorrupção do governo, já que não considerou seu envolvimento, em 1992, em um acordo superfaturado de importação.

O premiê indiano, Manmohan Singh, sob grande pressão por recentes denúncias de corrupção e criticado como um mau líder, afirmou nesta sexta-feira que aceita a responsabilidade por ter escolhido Thomas e respeita a determinação da Suprema Corte. Ele fez parte do painel de três membros que escolheu Thomas.

"Eu já disse que eu respeito o julgamento da Suprema Corte", disse Singh em uma entrevista televisionada. "Eu aceito minha responsabilidade".

Singh estava em Jammu para inaugurar um vilarejo de famílias hindus que fugiram da Caxemira por temer a violência. Apesar da declaração, não se sabe ainda se Singh cederá aos pedidos da oposição de que se explique ao Parlamento.

O premiê escolheu Thomas como Comissário Central de Vigilância em setembro passado, apesar das críticas da oposição. Nesta quinta-feira, a Suprema Corte disse que a escolha de Thomas foi ilegal porque ignorou em seu histórico a acusação de que, então um funcionário estatal, aprovou um acordo de importação de óleo de palmeiras da Malásia a preços superfaturados.

A controvérsia chega em meio a uma série de escândalos de corrupção, incluindo a licitação fraudulenta de um contrato de US$ 39 bilhões na área de telecomunicações.

O opositor Bharatiya Janata aproveitou o veredicto para pedir que Singh renuncia, na expectativa de alimentar uma onda de revolta popular sobre os escândalos de corrupção. Nesta sexta-feira, manifestantes protestaram em frente à sede do partido contra a corrupção e foram recebidos por canhões de água da polícia.

Silva tem enfrentado cada vez mais duras questões sobre sua liderança, apesar de uma reputação de integridade. Mas, por enquanto, muitos analistas veem a sua demissão como improvável --já que provavelmente levaria a uma eleição antecipada e a derrota do partido do Congresso.

No mês passado, o primeiro-ministro foi forçado a se defender contra as acusações de que ele era um líder ruim, pouco antes do governo acatar ao pedido da oposição de criar uma comissão de investigação parlamentar sobre a fraude das telecomunicações, considerada o maior escândalo de corrupção na Índia.